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O agente 007 é um dos maiores ícones da cultura pop de todos os tempos. Sua figura é tão emblemática que ultrapassa os limites de Hollywood. Uma pessoa não precisa ser fã de cinema, arrisco dizer que não precisa nem mesmo ter visto algum dos filmes, para entender o que ele representa.

James Bond ultrapassou as barreiras da sétima arte, tornando-se referência entre vários elementos do mundo pop. Isso significa muito dinheiro para os cofrinhos dos grandes empresários da indústria cinematográfica. São mais de 40 anos e a franquia continua rendendo. Tanto é que o próximo longa, “007 – Spectre” (com estreia marcada para novembro deste ano e novamente estrelado por Daniel Craig), é um dos mais aguardados e, como de costume, continua causando entre o meio publicitário, com várias ações de marcas criadas especialmente para este novo capítulo. Afinal, o relógio utilizado por Bond não pode ser qualquer um, certo? E o celular então? Nem se fala! Mas tudo isso é uma questão de “tradição“.

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O personagem é um perfeito aristocrata. Criado em uma época difícil para os ingleses (o Reino Unido não era mais o centro do mundo), representava um sopro de orgulho britânico. Afinal, um espião nobre, branco e hétero (perfeito galanteador que é capaz de conquistar qualquer mulher) salvando o mundo era tudo que eles precisavam para não perder totalmente a autoestima. Bond, como já disse, é um nobre. E como todo bom nobre, todo aristocrata, ostenta os melhores produtos. Sem contar que está sempre impecável! E com a atuação primorosa de Sean Connery, essa imagem ganhou ainda mais força, e por isso podemos dizer que tornou-se uma tradição.

Com o sucesso estrondoso dos filmes, é claro que as grandes marcas passaram a ficar de olho no espião. Uma figura tão importante, tão significativa, que está sempre esbanjando o melhor de tudo, usando determinado produto é uma honra, certo? E essa força continua! Tanto é que o próprio “personagem” tem o poder de recusar aquele produto que não considera bom o bastante para aparecer no filme. O público quer ver algo inovador, diferente, saciar aquela fantasia de ser o espião e ter uma conta bancária inesgotável. Para que isso aconteça, só com os melhores produtos. É tipo aquela história de que queremos sempre aquilo que não podemos, entende?

Ano após ano, história após história, “Bond, James Bond” continua charmoso, rico, poderoso e praticamente indestrutível. Ainda representa os valores britânicos, mesmo que seja feito pelos Estados Unidos. Ainda tem força na publicidade, como vimos acima. Porém, como tudo nessa vida, precisou se adequar aos novos tempos.

Apesar dos clichês, a história que assistimos hoje com certeza não é a mesma de quatro décadas atrás. A essência pode ser a mesma, assim como o charme do espião (mesmo com a rotatividade de atores), mas o contexto histórico de cada época representa significativamente nas tramas vividas pelo galã. Hoje em dia, por exemplo, a BondGirl é muito mais do que uma mocinha indefesa que cai nas graças do espião. Poderia ser mais, muito mais, mas já é um avanço. Já foi até cogitado um projeto solo para uma personagem que até então era completamente descartável.

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Mas será que pode mudar ainda mais? Um pingado de inclusão ali e aqui não é exatamente tudo. Será que o aristocrata branco, dos olhos azuis (não que ele sempre tenha sido interpretado por um ator com essas características), hétero que pode conquistar todas as mulheres do mundo, pode se adequar ao que estamos vivenciando atualmente em nossa sociedade ocidental?

O atual Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, é um homem negro. Desde então muitos filmes de Hollywood atualizaram aquela imagem de “homem branco + olhos azuis” destinada à figura suprema americana. Depois disso, vários personagens negros ganharam força na cultura pop. O Capitão América, um dos super-heróis americanos mais tradicionais, que representou a terra do Tio Sam na Segunda Guerra Mundial, atualmente é um homem negro nas histórias em quadrinhos – mesmo que no cinema ainda seja representado pela sua figura mais tradicional. O casamento gay, que até então era um tabu e sempre foi muito criticado pelos americanos mais conservadores, foi enfim legalizado por lá. Então porque não é possível que o James Bond seja negro? Ou gay? (Mesmo que o personagem seja inglês, a cultura pop está concentrada nos EUA, tanto é que o filme é feito por americanos).

O ator Pierce Brosnan, que viveu James Bond em quatro filmes da série, defendeu a ideia de inclusão. Quanto questionado pela revista Details se conseguia imaginar o espião sendo negro ou gay, sua resposta foi bem clara: “Claro, por que não?“. CLARO, POR QUE NÃO? Pierce foi além, porque até indicou o primeiro ator negro para interpretar o personagem: Idris Elba.

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Idris é negro, britânico, já trabalhou em diversos filmes maravilhosos e de quebra já produziu muita música boa. Muitos fãs de séries de TV devem o reconhecer pelo papel do detetive John Luther, protagonista da série britânica “Luther“, exibida pela BBC One. Ele até ganhou um Globo de Ouro em 2012 pela sua atuação no seriado. No cinema, podemos destacar sua atuação em “Nelson Mandela: Um longo caminho para liberdade“. Não preciso dizer mais nada, né? O cara seria sim a escolha ideal. Representa os negros e ainda os britânicos, já que é muito famoso por lá. O que vocês estão esperando, Sony?

Vamos torcer para que o cinema continue evoluindo, crescendo, se adequando ao nosso contexto social. Vivemos uma nova era de INCLUSÃO. Depois de tudo que vimos aqui, ter um espião negro ou gay é uma quebra de padrão que pode significar muito para a inclusão no cinema. Aliás, aquele suposto filme da Bondgirl ali em cima não chegou a ser feito, mas é uma IDEIA muito boa, que pode dar certo SIM. Queremos mais inclusão na sétima arte, queremos que todos se sintam representados. Essa é a mensagem do dia! Até a próxima.

Postado por Thiago Moreira

Editor-Chefe do Papo de Blogueiro. Viciado em cinema, televisão, música e tudo relacionado à cultura POP. Estuda Publicidade e Propaganda nas horas vagas.


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