Categoria: Tá no Papo

De uns tempos pra cá, comecei a questionar o que estamos produzindo e compartilhando diariamente na internet. A grande rede global de conexões e desconexões.

Estamos conectados, isso é fato!!! Nunca consumimos tantas IN-FOR-MA-ÇÕES ou bens simbólicos como agora. Mas da mesma forma que este intercâmbio de ideias e pensamentos proporciona benefícios e um rápido acesso a novas formas de CULTURA (!!!), somos também facilmente manipulados pelo lado sombrio da rede. Informações falsas circulam todos os dias pelo feed do seu Facebook ou pela timeline do seu Twitter, e dados comprovam que nunca mentimos tanto. A internet virou palco da vida alheia e, muitas vezes, um verdadeiro circo de horrores. Aparece mais quem sabe contar a melhor mentira.

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Entre os devaneios comuns do dia a dia, questionei então a minha importância no meio de tantas informações que vem e vão pela rede de backbones submarinos que cruza os oceanos de nosso planeta, conectando todas as pessoas do mundo ao maravilhoso mundo da internet. Não só a minha importância como redator e entusiasta da CULTURA POP. Mas a importância de um blog que dedica 100% do seu conteúdo para levar a tal cultura pop para a vida de seus leitores.

Entre o lado positivo e o lado negativo da internet, cá estou. Cá estamos! Eu, o Papo de Blogueiro (!!!) e vocês, os nossos leitores.

Em quase cinco anos trabalhando neste espaço virtual, talvez essa seja a primeira vez que converso diretamente com as pessoas que me leem. E é por essas pessoas que continuo aqui, dedicando meu tempo ao prazer de escrever sobre cultura pop de um jeito diferente, ou pelo menos, tentando ser diferente. Acredito que entre o turbilhão de coisas que acontecem todos os dias (as conexões e desconexões), posso também fazer algo positivo por alguém. Posso fazer a minha parte, produzindo um conteúdo de qualidade para quem dedica um pouco de seu tempo para me ler. E como a cultura pop é o que eu gosto, é o que eu consumo, e é o que eu tenho como hobby, faço dela algo produtivo para a sociedade.

Afinal, falar sobre cultura pop é falar sobre a sociedade. É falar sobre o momento que vivemos. Se você analisar, momentos icônicos da cultura do entretenimento estão relacionados a um contexto histórico. O Rambo, interpretado pelo Stallone, surgiu durante a Guerra Fria, e os filmes representaram um momento de conflito e insegurança para os Estados Unidos. A personagem, apesar de não ser nem contra nem a favor da Guerra, representava os valores de seu país, transmitindo confiança aos americanos. Durante o período, os longas de guerra e de violência se popularizam, reflexo de uma sociedade assustada com os rumos dos conflitos políticos.

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Na música, Madonna fez história nos anos 80 e 90, transformando sua música em um símbolo de resistência feminista, seguindo os movimentos que foram ganhando cada vez mais força no fim do século passado. O rap e o hip-hop representam os guetos, transformando a dor e os problemas sociais de um raça excluída em versos de músicas. Nada mais do que uma expressão popular que ganhou e continua ganhando cada vez mais espaço.

E não preciso ir nem muito longe para falar da contextualização da cultura pop com a sociedade. Nos anos 2010, a Marvel Comics incluiu a diversidade em suas histórias, como a criação da Miss Marvel, a primeira heroína muçulmana dos quadrinhos, que representa os imigrantes presentes na terra do Tio Sam.

A Ranger Amarela, do novo filme dos “Power Rangers“, vai ser a primeira heroína assumidamente gay do cinema e isso não poderia ser mais representativo e empolgante para quem acredita na cultura pop como um meio transformador na vida de tanta gente, tantas tribos. Nada mais importante para uma pessoa que não se encontra em nenhum lugar no mundo se enxergar em uma personagem incrível nas telonas. Dá pra sentir a importância disso tudo?

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Ao assistir filmes, séries, programas de TV, ou ouvir músicas dos meus artistas preferidos, busco extrair o melhor dessa EXPERIÊNCIA cultural para trazer aos meus leitores uma visão diferenciada destes conteúdos. Uma visão contextualizada que pode nos ajudar a entender um pouco mais da sociedade que estamos vivendo. E quem sabe assim, podemos viver melhor, né?

Transformar este espaço em um galho forte e saudável do tronco pesado que é a árvore da internet pode ser a minha missão. Com tantos galhos podres, é essencial termos a consciência limpa de uma ramificação saudável para continuarmos usufruindo o melhor que essa rede pode proporcionar. Vou continuar me questionando. É preciso quando se quer evoluir. Ser um tronco firme pode não ser tão fácil. E na verdade não é!!! Em alguns momentos pensamos em desistir e vem sempre a mesma crise existencial. Mas isso eu acredito que seja normal. Enquanto vocês continuarem por aqui, e enquanto os filmes, as séries e a música continuarem me inspirando, não vou deixar esse galho quebrar. Eu conto com vocês para continuar nessa jornada. Você continua comigo?

Você também pode fazer a sua parte!!! Seja escrevendo, gravando (há quem goste de aparecer frente às câmeras) ou prestigiando quem não deixa o galho quebrar. Você sabia que um comentário pode fazer a diferença para quem dedica um bom tempo escrevendo? Como exercício de casa eu deixo a dica para você visitar pequenos blogs e sites que nem sempre têm a mesma chance de aparecer como os outros. Conheço muita gente fazendo conteúdos incríveis, mas que não possuem tanto reconhecimento. Fechado?

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Desculpa o textão, peço licença e deixo um até breve. Vamos nos encontrar mais vezes, eu espero! E se você gostou desse texto, não esqueça de deixar o seu comentário. É importante para o galho se manter forte. Conecte-se sempre que possível. Um até logo!

10-vezes-em-que-a-ivete-sangalo-foi-a-rainha-do-brasil-no-carnaval-2017

Não é de hoje que estamos de olho em todos os passos de Ivete Sangalo, também conhecida como dona e proprietária do Brasil. E no Carnaval, não poderia ser diferente, né? Ainda mais que, além dos tradicionais blocos de rua em Salvador, a baiana estrelou o desfile da Acadêmicos da Grande Rio, tradicional Escola de Samba do Rio de Janeiro, que contou a história da cantora em seus mínimos detalhes. Foi uma explosão de amor, alegria e originalidade, traços que só a Veveta tem de sobra!

E não foi só isso, hein, tem muito mais! Reunimos, então, todas as vezes em que Ivete Sangalo levantou poeira e se mostrou, mais uma vez, a rainha do Brasil.

1. Ivete Sangalo comprou algodão doce de um ambulante de cima do trio

No sábado de Carnaval, 25, Ivete viu um vendedor de algodão doce de cima do seu trio e começou a conversar com ele. A cantora decidiu então comprar todo o algodão para que os foliões pudessem saborear o doce. Ela disse que o vendedor, que se chama Bruno, podia ficar despreocupado que pagaria tudo. E não foi só isso, ela ainda queria o “pau” do algodão doce, hahahaha! Ela é ou não é a melhor pessoa? Bruno ainda ganhou um convite todo especial: agora que já tinha vendido tudo, que tal assistir ao showzaço da baiana de cima do trio? Um sonho de Carnaval!

PS¹: Para quem não sabe, neste ano ela trabalhou o single “O Doce” como música do Carnaval e todo o seu bloco ganhou um clima personalizado ao melhor estilo Fantástica Fábrica de Chocolate, inclusive seus figurinos.

2. Mamãe Pirulito mandou avisar: “larga o celular e ‘vamo’ dançar!”.

A mamãe pirulito, como ela mesmo disse, é diva até na hora de dar bronca nos foliões! Hahahaha Na hora de colocar todo mundo para dançar com o hit “O Doce“, Ivete queria animação e ficou incomodada com as pessoas que não largavam o celular. Certíssima, né? Carnaval é pra todo mundo curtir mesmo!

 3. Ivete Sangalo fez um feat incrível com Marília Mendonça, a dona da sofrência.

Ainda no clima de Salvador, sabemos que os artistas que comandam os trios elétricos sempre recebem convidados especiais durante transmissões ao vivo para emissoras de televisão. E uma das convidadas de Ivete foi ninguém menos que Marília Mendonça, a rainha da sofrência. E olha que momento maravilhoso: as duas cantaram “Eu Sei de Cor“, pra fazer chorar e lembrar daquele amor que ficou por outros Carnavais. DIVAS!

4. Ivete pediu para sair na comissão de frente da Grande Rio e emocionou o público!

Fazendo uma rápida ponte aérea Salvador-Rio, não tem como não lembrar do momento mágico que foi a passagem apoteótica de Ivete Sangalo na Sapucaí. A escola de Duque de Caxias homenageou a baiana, contando sua história desde a origem pobre em Juazeiro, na Bahia, até o momento de sua consagração internacional. E olha que incrível: Ivete pediu para sair na comissão de frente, mesmo sabendo que seria uma responsabilidade imensa e que não poderia ser a estrela Ivete, mas sim, mais um membro da Escola. É de arrepiar, né? A encenação que abriu o desfile conta brevemente sua história, dando vida ao samba-enredo.

5. “A IVETE É MARATONISTA!!!!”

Logo depois de desfilar na comissão de frente da Grande Rio, vocês pensaram mesmo que ela não ia desfilar de novo, né? Hahahaha!

Ivete, por ser homenageada na Escola de Samba, era a única pessoa com autorização para aparecer duas vezes na avenida e não pensou duas vezes. Após encerrar sua primeira participação, enfrentou uma multidão para atravessar a Sapucaí e conseguir aparecer no último carro ao lado da família. Um detalhe é que ela precisou correr MUITO até chegar ao carro. Uma verdadeira maratonista! São meses e meses de preparação física para tudo sair perfeito. E ela ARRASOU, né?

6. Ivete Sangalo é ovacionada na Sapucaí e o nosso coração fica todo derretido!

Depois de correr uma maratona, ela teve seu momento de estrela (mais um, né?), sendo ovacionada pela Sapucaí inteira. Ao aparecer no último carro da Grande Rio ao lado do filho Marcelo e do marido Daniel, não tinha como segurar a emoção. Foi lindo, emocionante e apoteótico!!!!

7. O encontro das rainhas do Axé em um momento incrível de humildade.

Ainda falando sobre o seu desfile, mas agora de cima do trio em Salvador, Ivete protagonizou um momento de diva ao lado da igualmente rainha Daniela Mercury. A partir de 2:35 no vídeo, as duas conversam sobre uma ala da Grande Rio em homenagem à música de Daniela, que se chama “Canto da Cidade“. Para Ivete, a música e o clipe foram muito representativos, inspirações para a sua carreira. Ela reconheceu a importância de Daniela para a música baiana, a chamando de “rainha master”. Ivete também disse que Daniela sairia na ala, mas devido a compromissos na Bahia, não pode participar. Incrível, né? E não foi só isso: antes de fazer uma dueto com Alinne Rosa, Ivete fez questão de dizer que na Bahia ninguém era inimigo e que todos os cantores estavam juntos por um bem maior, sem rivalidade. Lindo de se ver!

8. Ivete é da pipoca e foliã como a gente!

Na terça-feira de Carnaval, 28, quando pensávamos que Ivete não aprontaria mais nada, eis que a baiana se fantasiou de palhaça para curtir a pipoca de Salvador. Ao lado de amigos e familiares, ela fez a festa correndo atrás do trio de vários cantores famosos, inclusive a Claudia Leitte. Demais, né gente? Não dá pra expressar o que a gente sente por essa mulher!

9. P** QUE P**, é a melhor cantora do Brasil!

Sempre que Veveta sobe ao palco, não demora muito para que os fãs comecem o grito de guerra que já é conhecido pela cantora. Na Bahia, não foi diferente. Ela foi ovacionada mais uma vez pelo público e aproveitou para conversar um pouquinho e agradecer tanto carinho. Só quem pode!

10. Ivete dançando com uma fã em cima do trio fecha a nossa lista com chave de ouro!

E para terminar a listinha com alguns dos momentos mais incríveis da Ivete neste Carnaval, olha só esse momento direto de Salvador. Quem queria estar no lugar dessa fã? Todos nós, né? Foi lindo de se ver!


Depois de tudo isso, como não amar e ser fã da Ivete Sangalo, né? A cantora deu um show de talento, simpatia e humildade nestes dias de Carnaval e ganhou ainda mais pontos com a gente. Ela é de uma força sem tamanho! Merece todo sucesso e reconhecimento conquistado ao longo de mais de 20 anos de carreira. Um beijo, Ivete!

Imagem: Facebook Ivete Sangalo

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No último domingo, 13, a cantora Anitta surpreendeu a todos com um discurso empoderador durante sua apresentação no festival Villa Mix, no Rio. A intérprete de “Bang” e “Sim Ou Não“, provavelmente dois dos maiores hits do último ano, mandou um recado para quem a destrata tanto por ser funkeira quanto por ser mulher:

Uma vez eu peguei um cara que falou assim para mim: ‘Se tu fosse minha mulher, a primeira coisa que ia mudar é esse rebolado aí na frente dos outros.’ Aí eu falei, ‘entendi, para me pegar é legal, para ser tua mulher não dá’. Hipocrisia é que não dá, sabe por que? Eu prefiro ficar sozinha do que ser subordinada. […] Para essas pessoas que acham que só porque a gente faz funk que a gente é menor, eu tenho uma coisa pra falar: ‘vocês pensaram mesmo que eu não ia rebolar minha bunda hoje?’.

Um discurso bem diferente de alguns anos atrás, quando discutiu com a cantora Pitty em uma gravação do programa “Altas Horas“. Na ocasião, o apresentador Serginho Groisman recebeu convidadas mulheres em uma plateia formada só por homens. É claro que em um programa formado apenas por convidadas mulheres, o feminismo e a luta pela livre manifestação da mulher seriam assuntos fortemente debatidos. Ao falarem sobre o feminismo, a carioca não foi feliz ao comentar que as mulheres estavam “tomando” o lugar dos homens. Para piorar a situação, foi mais além, e no que diz respeito à liberdade sexual feminina, disse que a mulher que não se respeita, dá margem para o homem achar coisa X ou Y sobre ela.

Sabemos que uma pessoa não entende nada sobre o movimento feminista quando usa o argumento de que as mulheres estão querendo tomar o lugar dos homens. Isso é uma visão distorcida de alguém que não buscou mais informações sobre o assunto. O que as feministas desejam (e os que apoiam o movimento, mas não tem protagonismo de fala, ou seja, eu, como homem, que utilizo esse espaço para debater o tema), é que todos tenham direitos iguais, como a própria Pitty rebateu no momento da discussão. É o fim da dominação de um gênero sobre outro. Mas por enquanto, sabemos que isso ainda está bem longe de ser possível. E enquanto esse momento tão sonhado não chega, as mulheres precisam ser vistas, ouvidas, e o movimento precisa ser debatido.

Quando falamos sobre liberdade sexual feminina, muitas pessoas não costumam entender. Como assim liberdade sexual feminina? As mulheres não são livres? É difícil acreditar, mas uma grande parcela da sociedade ainda não aceita o fato das mulheres se manifestarem livremente. Seja sexualmente ou para expor seus valores. Você provavelmente já ouviu falar da teoria de que mulheres que usam roupas curtas e justas têm culpa de ser estuprada, não é? Uma roupa realmente vai determinar o caráter de alguém e ser um “convite” a um absurdo como o estupro? Dançar em cima de um palco usando short curto não significa que a mulher está querendo fazer sexo. Ela está apenas sendo livre, valorizando seu corpo, sendo sensual. Qual o problema nisso?

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Anitta, a outra Anitta de 2014 que brigou com a Pitty, ao disseminar a ideia de que uma mulher precisa se valorizar para que um homem a aceite, acaba fortalecendo esse pensamento retrógrado de que a mulher precisa ser recatada e reprimir seus desejos, seja lá quais forem.

A atual Anitta, que fala sobre não aceitar ser subordinada e que não é menor por fazer funk, já não acredita que uma mulher precisa buscar aprovação de um homem. É nesse ponto que falo sobre desconstrução. Desconstrução de estereótipos que cercam os gêneros. O pensamento desconstruído de Anitta agora acredita que uma mulher não tenha que dar satisfações a um homem, por simplesmente não existir uma superioridade entre os gêneros. Somos livres para sermos e fazermos o que quisermos.

Desconstruir o pensamento machista é uma atividade que devemos fazer diariamente. “Mas eu não sou machista!!!!” Você pode até achar que não seja machista (e aqui falo com todos, independentemente de gênero ou orientação sexual), mas não é difícil repetirmos atitudes e pensamentos machistas, já que estamos reproduzindo uma regra que a sociedade tem como norma social. E o que seria uma “normal social”? É simples: nada mais que uma regra socialmente reforçada, que pode afetar o comportamento humano de determinada sociedade. A Anitta, lá em 2014, pode nem ter percebido que estava apenas repetindo uma norma que ouviu durante tantos anos, por tantas pessoas. O quanto que ela não foi xingada por trabalhar fazendo funk? E para nós (isso eu também incluo a Anitta) desconstruirmos essa regra, precisamos prestar mais atenção e não repetir o machismo. A Anitta fez isso e agora está muito mais empoderada. E jamais subordinada!

Nós aprendemos todos os dias. Seja com a Anitta ou com alguém do nosso lado – em casa, na rua, no trabalho ou na faculdade. Todos os dias aprendemos a desconstruir. E essa desconstrução não acontece da noite para o dia. Vai levar um tempo, mas é necessária. E como é! Viva o mundo igualitário.

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Acompanhar e escrever (como é o meu caso aqui no blog) sobre cultura pop significa muito mais do que falar sobre filmes, séries de TV, música, livros e quadrinhos. Vai muito além de simples personagens que nos dão entretenimento por algumas horas todos os dias. Acompanhar o universo da cultura pop é acompanhar o dia a dia da nossa sociedade, que é mutável, assim como os nossos super-heróis favoritos, por exemplo.

Não é de hoje que escrevo sobre a importância dos super-heróis para a nossa sociedade. E foi sempre assim, desde a popularização do gênero ainda na década de 30, com o lançamento do Superman (sem contar os outros heróis que estrelavam diversas revistas, mas que não necessariamente estavam vestidos com máscaras e uniformes).

Em 1972, a super-heroína Mulher-Maravilha foi capa de estreia da revista feminista americana “Ms.“. E logo na manchete os editores trataram de passar uma mensagem bastante simbólica: “Mulher-Maravilha para Presidente“. Ora, nada mais justo do que eleger uma personagem tão simbólica para o público feminino como a primeira presidente mulher dos Estados Unidos. Logo mais que era a estreia de uma revista que prometia trazer novos ares ao feminismo e ao que as pessoas entendiam sobre o movimento, inspirando as mulheres norte-americanas.

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E inspiração é a palavra chave para definir a heroína. Quando o seu criador, William Moulton Marston, resolveu trazer a personagem para as páginas de quadrinhos, ele tinha o interesse de criar entre o público jovem e feminino um padrão de feminilidade forte, livre e corajosa. Tudo que uma mulher precisa para ser Presidente, não é?

Os anos se passaram desde o lançamento da revista e, infelizmente, nenhuma mulher conseguiu chegar ao cargo máximo da política dos Estados Unidos. Mas isso pode estar prestes a mudar. A advogada Hillary Clinton é uma forte candidata do partido Democrata para a nova corrida eleitoral e pode vir a tornar-se a primeira presidente mulher do país. E como citei no início do texto, a cultura pop acompanha o dia a dia da nossa sociedade, caminhando de mãos juntas. A Mulher-Maravilha, que representa todas as mulheres do mundo, vai chegar à presidência. Mas não a própria Mulher-Maravilha.

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Eu explico: Lynda Carter, que interpretou a Amazona na série da década de 70, ganhou um papel recorrente na série da “Supergirl” (outra super-heroína da mesma família) e vai interpretar ninguém menos que a Presidente dos Estados Unidos. Isso não é demais?

Mais de 40 anos depois da capa histórica que trazia a Mulher-Maravilha como Presidente e logo agora que Clinton pode finalmente ser eleita ao cargo, a cultura pop nos presenteia com essa participação mais do que especial em uma série que traz uma mulher como protagonista. A cultura pop está diretamente relacionada com a nossa sociedade e pode sim ter o papel de impulsionadora de grandes mudanças. E nós queremos muito mais.

Mulher-Maravilha para presidente! Hillary Clinton para presidente! 

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Depois do triste acontecimento do último domingo, dia 12, em Orlando, nada melhor do que saber que lá na Inglaterra, a família Real está fazendo história a favor da diversidade. Estou falando especificamente do Príncipe William, aquele que é o terceiro na linha de sucessão do Reino Unido, que estampa a nova capa da revista LGBT “Attitude“. Essa é a primeira vez que um membro da família participa de uma publicação do gênero. Isso não é incrível?

Não é à toa que a própria manchete de capa já manda a real: “Fazendo História“. Não poderia ser diferente, não é mesmo? Acompanhando o título, uma citação nada mais do que justa e pertinente para o momento: “Ninguém deveria ser assediado por sua sexualidade ou qualquer outra razão“. Já podemos amar esse príncipe, gente?

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Mas como surgiu a ideia de fazer a capa? Tudo começou quando William convidou o editor da revista, Matthew Todd, e um grupo de representantes do movimento LGBT para uma conversa sobre casos de bullying, homofobia e transfobia no reino. O encontro aconteceu no dia 12 de maio no Palácio de Kensington, rendendo também uma sessão de fotos para a publicação. As fotos foram feitas por Leigh Keily. Entre suas declarações, William fala sobre denúncias em caso de bullying: “Não tolere isso – converse com um adulto de confiança, um amigo, um professor, com o Childline… ou algum outro serviço (de assistência) para receber a ajuda de que precisa. Você deveria se orgulhar da pessoa que é, e não tem nada de que se envergonhar“, declarou.

Com essa atitude tão humana, o Príncipe consegue colocar em prática o que vem declarando há muito tempo, que é justamente sobre uma monarquia mais moderna. Já queremos agora o Príncipe Harry estrelando outra capa, não é mesmo? Ele também já foi destaque em assuntos envolvendo a comunidade LGBT quando salvou um soldado de seu regimento de uma agressão homofóbica. Exemplo!

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Quando temos um membro da monarquia britânica, que de longe é um dos símbolos mais conservadores do mundo (principalmente levando em conta o perfil do aristocrata inglês), estampando a capa de uma revista LGBT e falando tão abertamente sobre esse assunto, é algo para celebrarmos, principalmente entre aqueles que buscam uma sociedade mais livre e igualitária para todos.

Sabemos que o bullying faz com que jovens LGBTs se sintam inferiores, assustados e deprimidos, os levando para situações de risco, que envolvem tanto a questão da violência, como problemas de saúde – quando entramos aqui com questões como depressão, vício em drogas e comportamento suicida (entre os assuntos debatidos na reunião, foi comentado sobre a morte de um jovem gay após uma overdose acidental). A revista compartilhou dados de uma pesquisa feita no Reino Unido que constatou que 33,9% dos jovens gays tinham feito pelo menos uma tentativa de suicídio em comparação com 17,9% de jovens héteros. Enquanto que 48,1% dos jovens trans haviam tentado suicídio. O estudo também constatou que 57,1% das pessoas gays tinha se auto prejudicado pelo menos uma vez em comparação com os 38,3% dos jovens heterossexuais. 85,2% dos jovens trans tinha se auto prejudicado em oposto aos 47,4% dos héteros.

O editor Matthew Todd também se pronunciou sobre o encontro com o Príncipe e revelou que já conheceu muitos pais que perderam seus filhos devido à homofobia. Para ele, é um avanço saber que o futuro Rei do Reino também concorde que esse tipo de comportamento repressivo contra a comunidade LGBT precisa parar. Arrepiante, não? Um representante da sociedade como o William lutando contra esse tipo de comportamento, que é ainda tão presente no dia a dia dos jovens gays, faz com que tenhamos uma discussão muito grande sobre o assunto. E isso é sempre muito positivo!

Queremos mais nomes como o do Príncipe William fazendo a diferença em nossa sociedade. Certamente o pequeno George e a fofíssima Charlotte – filhos do Príncipe – vão crescer em uma família que coloca sempre o amor e o respeito em primeiro lugar. E é só isso que todos nós queremos!

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Alicia Keys é uma cantora indescritível. Seu talento é reconhecido pelos grandes nomes da música, assim como pela crítica e claro, pelo grande público. É inegável o poder de sua voz. E o quanto ela capricha em seus trabalhos. Mas não é sobre sua música que quero falar hoje. Mas sim sobre suas sardas. Você deve se perguntar: mas que sardas? É, eu pelo menos não sabia que a cantora ostentava lindas sardas em seu rosto. Talvez pela maquiagem pesada ou pelos efeitos da manipulação de imagem. O fato é que o mundo agora conhece suas sardas.

Mas, tá, qual é a importância disso tudo? Posso dizer que é mais um passo para o fim, ou melhor, extermínio (para ser mais forte e preciso) da ditadura da beleza!

Vou explicar: ela não vai mais usar maquiagem, pois quer se sentir livre, sem sofrer pressão por parte de ninguém. Seu empresário vai achar ruim? Paciência! As revistas de beleza não vão aceitar muito bem? Fazer o que, né? O importante é que a Alicia agora se sente empoderada, dona do seu próprio corpo, e claro, das suas sardas. Para divulgar a novidade, ela é capa da revista “Fault” e de cara limpa. Isso não é fantástico? E não foi só isso: para o site Lenny Letter, da igualmente feminista Lena Dunham, escreveu uma carta aberta e explicou porque tomou essa iniciativa.

Todos chegamos em um momento de nossas vidas (especialmente as garotas) onde tentamos ser perfeitos“, comenta a cantora. “Escrevi uma lista de coisas que eu estava cansada. E uma delas foi o quanto as mulheres sofrem lavagem cerebral para ser magra, ou sensual, ou desejável, ou perfeita. Uma das muitas coisas que eu estava cansada era do constante julgamento das mulheres. O constante estereótipo que nos faz sentir que o tamanho normal, não é normal, e Deus nos livre se você for plus size”, desabafa.

Uau! Isso é muito forte, não é?

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Quando falamos de atingir a perfeição estamos nos referindo aos padrões impostos pela sociedade há várias décadas. Se você não segue esse padrão, você está fora da caixa e não tem aceitação social. Permanecer dentro de uma caixa significa perder a liberdade de vestir o que achar bonito, de se comportar da maneira que achar viável e, além de tudo isso, cuidar da aparência do jeito que se sentir bem. Esses padrões estéticos que são estipulados por diversos meios, pode causar consequências sérias na autoestima de uma mulher.

Mas agora eu pergunto: por que não experimentar sair da caixa e viver do jeito que você quiser? Foi essa a decisão de Alicia, que resolveu mostrar ao mundo seu rosto livre de maquiagem e manipulações digitais. E por que isso foi tão importante? Porque a cantora é um nome mundialmente conhecido. Ela está nas capas de revistas e estourando nas paradas mundo afora. Ela, como personalidade da mídia, pode influenciar várias mulheres manipuladas por esse mesmo padrão ditatorial a viverem suas vidas do jeito que quiser. O mais importante é ser fiel aos seus próprios sentimentos.

Afinal, se ela pode, por que você não? Como Alicia já disse uma vez em sua música “Superwoman”:

Por todas as mães que lutam, por dias melhores que virão. Por todas as mulheres sentadas aqui agora que tem que voltar para casa antes do sol se por. Para todas as minhas irmãs. Cantando juntas dizendo: Sim eu vou, sim eu posso.

Obrigado por sua luta, Alicia. O mundo precisa de mais pessoas como você. Nos vemos nos charts, porque agora queremos novos singles.

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