Tag: Editorial

De uns tempos pra cá, comecei a questionar o que estamos produzindo e compartilhando diariamente na internet. A grande rede global de conexões e desconexões.

Estamos conectados, isso é fato!!! Nunca consumimos tantas IN-FOR-MA-ÇÕES ou bens simbólicos como agora. Mas da mesma forma que este intercâmbio de ideias e pensamentos proporciona benefícios e um rápido acesso a novas formas de CULTURA (!!!), somos também facilmente manipulados pelo lado sombrio da rede. Informações falsas circulam todos os dias pelo feed do seu Facebook ou pela timeline do seu Twitter, e dados comprovam que nunca mentimos tanto. A internet virou palco da vida alheia e, muitas vezes, um verdadeiro circo de horrores. Aparece mais quem sabe contar a melhor mentira.

clube-da-luta

Entre os devaneios comuns do dia a dia, questionei então a minha importância no meio de tantas informações que vem e vão pela rede de backbones submarinos que cruza os oceanos de nosso planeta, conectando todas as pessoas do mundo ao maravilhoso mundo da internet. Não só a minha importância como redator e entusiasta da CULTURA POP. Mas a importância de um blog que dedica 100% do seu conteúdo para levar a tal cultura pop para a vida de seus leitores.

Entre o lado positivo e o lado negativo da internet, cá estou. Cá estamos! Eu, o Papo de Blogueiro (!!!) e vocês, os nossos leitores.

Em quase cinco anos trabalhando neste espaço virtual, talvez essa seja a primeira vez que converso diretamente com as pessoas que me leem. E é por essas pessoas que continuo aqui, dedicando meu tempo ao prazer de escrever sobre cultura pop de um jeito diferente, ou pelo menos, tentando ser diferente. Acredito que entre o turbilhão de coisas que acontecem todos os dias (as conexões e desconexões), posso também fazer algo positivo por alguém. Posso fazer a minha parte, produzindo um conteúdo de qualidade para quem dedica um pouco de seu tempo para me ler. E como a cultura pop é o que eu gosto, é o que eu consumo, e é o que eu tenho como hobby, faço dela algo produtivo para a sociedade.

Afinal, falar sobre cultura pop é falar sobre a sociedade. É falar sobre o momento que vivemos. Se você analisar, momentos icônicos da cultura do entretenimento estão relacionados a um contexto histórico. O Rambo, interpretado pelo Stallone, surgiu durante a Guerra Fria, e os filmes representaram um momento de conflito e insegurança para os Estados Unidos. A personagem, apesar de não ser nem contra nem a favor da Guerra, representava os valores de seu país, transmitindo confiança aos americanos. Durante o período, os longas de guerra e de violência se popularizam, reflexo de uma sociedade assustada com os rumos dos conflitos políticos.

rambo

Na música, Madonna fez história nos anos 80 e 90, transformando sua música em um símbolo de resistência feminista, seguindo os movimentos que foram ganhando cada vez mais força no fim do século passado. O rap e o hip-hop representam os guetos, transformando a dor e os problemas sociais de um raça excluída em versos de músicas. Nada mais do que uma expressão popular que ganhou e continua ganhando cada vez mais espaço.

E não preciso ir nem muito longe para falar da contextualização da cultura pop com a sociedade. Nos anos 2010, a Marvel Comics incluiu a diversidade em suas histórias, como a criação da Miss Marvel, a primeira heroína muçulmana dos quadrinhos, que representa os imigrantes presentes na terra do Tio Sam.

A Ranger Amarela, do novo filme dos “Power Rangers“, vai ser a primeira heroína assumidamente gay do cinema e isso não poderia ser mais representativo e empolgante para quem acredita na cultura pop como um meio transformador na vida de tanta gente, tantas tribos. Nada mais importante para uma pessoa que não se encontra em nenhum lugar no mundo se enxergar em uma personagem incrível nas telonas. Dá pra sentir a importância disso tudo?

ranger-amarela

Ao assistir filmes, séries, programas de TV, ou ouvir músicas dos meus artistas preferidos, busco extrair o melhor dessa EXPERIÊNCIA cultural para trazer aos meus leitores uma visão diferenciada destes conteúdos. Uma visão contextualizada que pode nos ajudar a entender um pouco mais da sociedade que estamos vivendo. E quem sabe assim, podemos viver melhor, né?

Transformar este espaço em um galho forte e saudável do tronco pesado que é a árvore da internet pode ser a minha missão. Com tantos galhos podres, é essencial termos a consciência limpa de uma ramificação saudável para continuarmos usufruindo o melhor que essa rede pode proporcionar. Vou continuar me questionando. É preciso quando se quer evoluir. Ser um tronco firme pode não ser tão fácil. E na verdade não é!!! Em alguns momentos pensamos em desistir e vem sempre a mesma crise existencial. Mas isso eu acredito que seja normal. Enquanto vocês continuarem por aqui, e enquanto os filmes, as séries e a música continuarem me inspirando, não vou deixar esse galho quebrar. Eu conto com vocês para continuar nessa jornada. Você continua comigo?

Você também pode fazer a sua parte!!! Seja escrevendo, gravando (há quem goste de aparecer frente às câmeras) ou prestigiando quem não deixa o galho quebrar. Você sabia que um comentário pode fazer a diferença para quem dedica um bom tempo escrevendo? Como exercício de casa eu deixo a dica para você visitar pequenos blogs e sites que nem sempre têm a mesma chance de aparecer como os outros. Conheço muita gente fazendo conteúdos incríveis, mas que não possuem tanto reconhecimento. Fechado?

mr-robot

Desculpa o textão, peço licença e deixo um até breve. Vamos nos encontrar mais vezes, eu espero! E se você gostou desse texto, não esqueça de deixar o seu comentário. É importante para o galho se manter forte. Conecte-se sempre que possível. Um até logo!

ano-novo-tudo-de-novo-ta-mas-o-que-vai-mudar-de-verdade

Chegamos ao primeiro dia útil do ano! ÊêÊêÊêêêêêÊ!!!!

Momento em que as pessoas finalmente começam a tentar colocar em prática todas as metas prometidas na hora da virada. E as oferendas, gente? Fizeram tudo certinho?

Chegou a hora de esquecer as mágoas e os erros do passado e focar no que está por vir, afinal, o ano que está só começando nos reserva 366 dias cheios de surpresas e de muitas oportunidades – basta você saber aproveitá-las.

Gatsby-Toast

Essa também é a hora que percebemos que algumas promessas são quase impossíveis de cumprir. Até porque tem o Carnaval quase chegando e você sabe como é, né?

Tem sempre aquela turma que acaba desistindo das metas logo no comecinho do ano e joga tudo para depois da festa carnavalesca. Outros prorrogam ainda mais, passando pela Páscoa, Festas Juninas e acabam deixando tudo para 2017.

Vamos torcer para não ser o nosso caso!

beyonce-heaven

Quem disse que o blog também não tem suas próprias metas de ano novo? Temos sim!

E seria maravilhoso colocá-las em prática ao longo dos próximos 12 meses. O ano promete muitas emoções inesquecíveis, principalmente para nós, que somos fãs (e viciados) em cultura Pop. Citando aqui rapidinho: temos o esperado confronto entre o Batman e o Superman, a chegada da Mulher-Maravilha, o novo filme do Capitão América (que inclui o Pantera Negra); na música temos o possível retorno da Rihanna, promessas de novos álbuns para Beyoncé, Katy Perry e Beyoncé; no mundo da séries temos o retorno triunfal de “Arquivo X” e uma fall season inteirinha pela frente; e muuuuito mais!

anigif_enhanced-10760-1395235488-9

Quais são as nossas metas? Em primeiro lugar tentaremos colocar em prática o nosso projeto editorial ~testado em 2015. Ao longo do ano passado tentamos abordar temas que estavam relacionados ao nosso cotidiano. Afinal, a cultura da mídia acompanha os acontecimentos de uma sociedade e ao estudarmos os conteúdos produzidos para a televisão, cinema, música, entre outras mídias, conseguimos entender o que acontece no nosso dia a dia, assim como as lutas e questões sociais que estão em evidência.

Falamos, por exemplo, sobre a estreia da série da Supergirl e sua importância para a luta da inclusão de gênero nas produções de super-heróis. Falamos também sobre a possibilidade do novo James Bond (depois da era Daniel Craig) ser negro, o que é algo completamente pertinente ao momento em que estamos vivendo. Também não deixamos por menos quando o novo protagonista NEGRO da franquia “Star Wars” sofreu boicote por parte de um grupo de “fãs”.

E o que queremos para o novo ano? Explorar muito MAIS este lado social presente na cultura pop, fazer você, nosso leitor, analisar sua série, ou seu filme preferido, por um novo ponto de vista. Isso é bom, fortalece opiniões e nos faz pensar um pouquinho mais sobre aquilo que estamos consumindo diariamente.

Neste ano também vamos explorar ainda mais as nossas mídias sociais, utilizando com mais empenho o Facebook e o Instagram para divulgar as notas quentes que surgem a todo instante na internet. Desse modo, vamos diminuir as notas rápidas aqui no blog. CALMA! Isso não quer dizer que os trailers, lançamentos musicais, novidades sobre contratações de atores, essas coisas, simplesmente sumirão aqui do Papo. Vamos continuar, mas a preferência é trabalhar com um conteúdo mais completo, dando novas abordagens para estes temas. Por exemplo, não vamos apenas falar sobre o trailer do filme “Capitão América: Guerra Civil“, vamos fazer um apurado mais completo sobre a prévia, investigando os detalhes (leia-se prints), descobrindo curiosidades e tudo mais envolvendo a produção. Deu pra entender?

Em 2016 também queremos ver mais FILMES e conversar com vocês sobre as estreias do cinema. Queremos participar de mais cabines (coisa que fizemos muito pouco no ano passado) e compartilhar o que achamos dos principais lançamentos. Queremos que você saiba o que é legal e o que é cilada! Além de filmes, queremos falar sobre música! Sim, muita música. Toda semana, por exemplo, queremos mais tempo para falar sobre os lançamentos musicais, principalmente sobre os clipes. Em 2015 ensaiamos o “Clipes da Semana“, que até rendeu alguns posts bem divertidos. Quem lembra?

Então é isso! Por enquanto as nossas metas ainda estão engatinhando. Para ficar por dentro de tudo que acontece é essencial acompanhar o blog no Instagram, no Facebook e até no Twitter. Estamos por lá agitando a internet!

Nos vemos em 2016!

rihanna-gif

sound

Introdução: um pouco da história da música no cinema e no vídeo game.

Desde os primórdios do cinema, com o Primeiro Cinema dos irmãos Lumière, passando por Méliès e o advento do som na imagem em movimento e chegando aos dias de hoje, a música sempre teve grande importância para o evento de se assistir um filme. Mesmo quando o som direto, captado ao mesmo tempo das imagens, era ainda um sonho distante nas mentes dos cineastas e grandes estúdios, os filmes já possuíam trilha sonora, muitas vezes apresentadas ao vivo por músicos conhecidos na Europa, nos Estados Unidos e até mesmo no Brasil.

Algumas vezes, o diretor ou produtor do filme contratava alguém para escrever (ou escreviam eles mesmo, em alguns casos) uma partitura que deveria ser acompanhada do filme para o espectador ter a experiência completa de assisti-lo. Outras vezes, com o material pronto, algum compositor, ao assistir ao filme, compõe a música de acordo com o que assistiu e seus conhecimentos. Em um dos documentários experimentais mais conhecidos de todos os tempos, Man with a Movie Camera, de 1929, o diretor, Dziga Vertov, deixou indicações de como queria que o acompanhamento musical fosse feito. Assim, no processo de restauração do filme para lançamento em DVD em 1996 (quase 70 anos depois), a orquestra fez uma partitura seguindo essas orientações. De qualquer forma, percebe-se que a música sempre teve o papel protagonista na história do cinema.

Hoje em dia, com os filmes falados, cheios de explosões e efeitos sonoros, esse hábito de um músico ao vivo tocando dentro da sala é mais raro, exclusivo de sessões especiais em teatros e cinemas mais nostálgicos. Porém, isso não significa que se deixou de dar importância à criação de trilhas originais para filmes. Nomes como Alfred Newman (The Hurricane, Camelot, The King and I), John Williams (Harry Potter, Star Wars, Jurassic Park Jaws), Hans Zimmer (The Lion King, Gladiator, The Dark Knight) e James Horner (Avatar, Titanic, Braveheart) são apenas alguns de grandes compositores cinematográficos que ganharam reconhecimento tanto na indústria cinematográfica, quanto musical.

Caso semelhante acontece com os videogames, porém de forma um pouco diferente. Meio de entretenimento bem mais recente do que o cinema, os jogos eletrônicos surgiram na segunda metade do século XX, a principio de forma bastante rudimentar. Tanto a qualidade da imagem, quanto da trilha sonora, era bem baixa nas primeiras décadas do vídeo game, originalmente limitadas à melodias simples por tecnologia de sintetizador de sons. Com o passar das décadas, essa realidade mudou drasticamente e, hoje em dia, as trilhas sonoras de vídeo games são cada vez mais complexas e interessantes, tanto quanto aquelas de filmes.

Entre o meio e o final da década de 1980, houve uma grande onda de lançamentos de jogos para plataformas que tinham música composta por pessoas com mais experiência musical. A qualidade das composições avançou notavelmente, e uma prova da popularidade da música deste período permanece até hoje entre jogadores de videogame que reconheceriam qualquer uma dessas músicas de qual jogo ela pertence originalmente, sendo que muitos deles ouvem essas músicas em seu dia-a-dia. Entre os compositores que ganharam fama com sua música composta para jogos incluem Kōji Kondō (Super Mario Bros., The Legend of Zelda), Koichi Sugiyama(Dragon Quest), Hirokazu Tanaka (Metroid e Kid Icarus), Martin Galway (Times of Lore), Hiroshi Miyauchi (Out Run), Nobuo Uematsu (Final Fantasy), Yuzo Koshiro (Ys).

Hoje em dia, tanto para filmes, quanto para videogames, existem grandes premiações que homenageiam os melhores profissionais em cada área. Não poderia ser diferente, nas principais premiações existem categorias exclusivas para Trilha Sonora. Em 2015, por exemplo, o prêmio de Best Original Score do Academy Awards (Oscar) foi para o compositor Alexandre Desplat para o filme The Grand Budapest Hotel. Já no Spike Video Game Awards 2015, o vencedor de Best Soundtrack foi GTA V (jogo que muitos consideram um grande filme interativo).

Trilhas sonoras: clássica ou não?

Estudiosos, especialistas e músicos mais conservadores possuem certa dificuldade em colocar nomes como Alfred Newman, John Williams e Hans Zimmer nos mesmos patamares que Beethoven, Tchaikovsky e Mendelssohn. É claro que é difícil para qualquer um acreditar que alguma pessoa viva nos dias de hoje terá, algum dia, tanta importância e reconhecimento para a música em geral do que esses nomes já consegrados. Mas não deveriam esses “novos” nomes da música ter uma chance ao serem listados pertencendo ao mesmo estilo que eles, fazendo assim que seus trabalhos alcancem novos ouvintes?

A rádio britânica dedicada à música clássica, Classical FM, definitivamente acredita que sim. Desde 1996, a rádio define as 300 músicas clássicas mais populares e as toca durante a semana de páscoa. Desde então, o primeiro lugar da lista já foi ocupado por diferentes músicas, como Violin Concerto No 1, de Bruch; Piano Concerto No 2, de Rachmanioff; Clarinet Concert, de Mozart; entre algumas outras. Porém, além dessas de peridos como romântico e clássico, a rádio não deixa de incluir trilhas sonoras de filmes como Senhor dos Anéis e Piratas do Caribe.

Na lista de 2015, John Williams aparece em 48º lugar com a trilha sonora de A Lista de Schindler (filme de Spielberg que é considerado por muitos um dos melhores filmes já feito). Ennio Morricone está logo a frente em 36º, com a trilha sonora do filme A Missão. Em 30º, temos a japonesa, Yoko Shimomura, com a trilha do videogame Kingdon Hearts. Howard Shore se encontra em 21º com o filme O Senhor dos Anéis. Jeremy Soule quase entra no TOP 10, ficando em 11º com a série de videogames The Elder Scrolls. E em 9º, a posição mais alta alcançada por um filme ou videogame, está o compositor japonês Nobuo Uematsu com a série de jogos Final Fantasy.

O intuito da rádio não é, nem nunca foi comparar qualidade das composições ou afirmar que esses compositores contemporâneos são mais importantes do que outros de outros períodos. O objetivo deles é medir popularidade entre as músicas, já que as listas são votadas pelos ouvintes da rádio. Porém, ao dar a possibilidade deles votarem nessas trilhas sonoras, mostra que eles acreditam que esses músicas sejam clássicas, tanto quanto as outras. E o resultado apenas comprova esse fato.

Após a divulgação da lista de 2008, que continha já vários desses compositores de filmes e jogos, o blogueiro de música, Tristan Jakob-Hoff, postou no The Guardian, um texto mostrando a sua discordância do pensamento da rádio. Ele afirma que a lista possui vários equívocos e assim confunde os ouvintes da rádio. Primeiramente, diz que após ler a lista, um leigo pode acreditar que música clássica é qualquer música tocada por uma orquestra e que não existem outros tipos de apresentação, já que 75 músicas do TOP80 são orquestradas. Ele afirma, então, que para a música ser clássica, não tem nada a ver com as forças envolvidas na sua apresentação e sim em qual intuito na qual ela foi escrita para ser ouvida. “A música clássica é projetada para ser considerada, contemplada e – sendo a mais abstrata de todas as formas de arte – provocar uma resposta verdadeiramente subjetiva em cada um dos seus ouvintes. Música de filme, por outro lado, destina-se a acompanhar as imagens em movimento, para proporcionar um comentário objetivo para a ação na tela. Tirando as imagens, a música perde a maior parte do seu significado. ” conclui ele.

Por mais que ele esteja certo em alguns aspectos, como o fato de que a orquestra sinfônica realmente não é o único modo de apresentação da música clássica, isso não faz que o argumento geral dele esteja correto. Por exemplo, a música clássica é realmente o único estilo musical que é projetada para ser considerada e projetada? Certamente, muitos compositores de outros estilos, como o rock, folk, hiphop e até mesmo o pop, vão argumentar que possuem o mesmo intuito na hora que escrevem suas canções. Ou seja, por essa classificação, esses outros estilos também deveriam ser considerados como clássicos. Sem contar também que nem toda música clássica foi escrita com esse intuito. Existem várias clássicas populares incidentais, como por exemplo as peças Peer Gynt e A Midsummer Night’s Dream, que tiveram suas músicas depois transformadas em orquestras.

Outro fato ruim da argumentação dele é que as músicas de filme só fazem sentido quando acompanhadas da imagem em movimento, e esse fato é extremamente não verdadeiro. A maioria dos compositores de filmes e jogos estudaram e são treinados em música clássica. John Williams, por exemplo, que já levou 5 estatuetas do Oscar para casa, tem seu trabalho comparado com os de Holst, entre outros compositores. Comparando Mars, dos Planetas de Holst, com o tema de abertura de Star Wars: Uma Nova Esperança, podemos encontrar influências diretas.

A música clássica, com o passar dos séculos e principalmente a partir do século passado, vem perdendo a sua popularidade. Em contrapartida, filmes e videogames cada vez tem mais e mais espectadores e jogadores, respectivamente. Pode-se pensar que grande parte dessas pessoas não se consideram como ouvintes da música clássica, mas possuem álbuns com as trilhas sonoras dos filmes, ou simplesmente adoram ouvir a música de certa parte do jogo. Essas pessoas podem se tornar eventuais ouvintes de outros períodos da música clássica, fazendo com que essas trilhas sonoras sejam de importância muito grande para a (re) popularização de um gênero que é cada vez menos comum, principalmente entre jovens.

Um bom exemplo disto, só que dessa vez no âmbito do esporte, foi a escolha da ária “Nessun dorma”, da ópera Turandot, de Giacomo Puccini, como música-tema da Copa do Mundo de 1990, o que levou a um notável aumento no interesse popular pela ópera e, em particular, pelas árias cantadas por tenores, o que eventualmente levou aos concertos e álbuns de grande sucesso dos Três Tenores.

Não se deve esquecer também de que a música clássica de vários períodos também sempre aparece como trilhas sonoras de filmes. Stanley Kubrik é lembrado por muitos pelos filmes com trilhas sonoras magníficas e bem clássicas, como a abertura de 2001: Uma Odisseia no Espaço, que conta com um poema sinfônico de Strauss, Also sprach Zarathustra, ou então a Nona Sinfonia de Beethoven, ouvida pelo personagem Alex em Laranja Mecânica. Isso serve para mostrar que a música clássica combina com a atmosfera de filmes.

O problema aqui, e em muitos outros casos também, é generalização. Não se deve, certamente, afirmar que toda trilha sonora de todos os filmes é clássica. Existem filmes com orçamento tão baixo que não tem dinheiro para fazer uma trilha sonora original, ou até mesmo qualidade criativa a desejar, que suas trilhas sonoras acabam ficando tão ruins quanto o resto do filme. O importante é saber a diferença desses filmes e àqueles nos quais vários profissionais trabalham por meses ou até mesmo anos para criar músicas que devem fazer o espectador sentir diversas emoções.

Uma boa alternativa seria categorizar as trilhas sonoras em um gênero novo, a “música de filme” e “música de jogos” ou simplesmente “trilhas sonoras”. Prática essa que muitas lojas de CD’s já utilizam para separar esses produtos, que possuem bastante demanda. O problema com essa “solução” é o preconceito que as pessoas têm com essas músicas. Sendo separados e vendidos como “música de filme”, algumas pessoas que já possuem uma certa ideia errônea de que essa música é ruim e que não se interessa, nunca pararia para comprar esse CD ou baixar essa música. Assim, essas pessoas nunca teriam contato com essa música. Ao ser classificado como música clássica contemporânea , pessoas com este preconceito poderiam dar uma chance ao gênero.

Para concluir, trilhas sonoras, tanto de filmes, quanto de videogames, são também compostas para fazer o ouvinte sentir emoções, para serem consideradas e contempladas, e não devem ser ouvidas somente com o acompanhamento da imagem em movimento. O mercado de cinema e de jogos estão crescendo cada vez mais, assim, os compositores tem a possibilidade, muitas vezes, de trabalhar sua criatividade com orçamentos enormes, compondo músicas brilhantes.

trailer-da-serie-da-supergirl

Em maio deste ano a série da “Supergirl“, importante personagem do universo DC Comics, foi oficialmente anunciada pelo canal norte-americano CBS.

Greg Berlanti, criador de “Arrow” e ‘”The Flash”, Geoff Johns são os produtores executivos, responsáveis pela idealização do projeto. Melissa Benoist (vista pela última vez na série “Glee”) assume a importante missão de interpretar a super-heroína Kara Zor-El, uma das filhas de Kripton. Além de Melissa, Chyler Leigh, Mehcad Brooks, Calista Flockhart e Jeremy Jordan integram o elenco principal.

Um time empenhado em fazer um trabalho de qualidade para todos os fãs de quadrinhos que estão ansiosos para o lançamento de uma história de super-heroína na televisão depois de tantos anos. VAMOS CONFIAR! 

Antes de entrarmos em detalhes sobre a nova série e sua real importância, precisamos fazer uma viagem no tempo para conhecermos a personagem e traçarmos o seu caminho até aqui. A nossa primeira parada é no ano de 1958, quando a Supergirl apareceu pela primeira vez nos quadrinhos em “Superman #123“. Na história, Jimmy Olsen, de posse de um totem místico, desejou a existência de um ajudante com super-poderes para ajudar seu amigo Superman que estava passando por grandes dificuldades. A resolução não foi positiva e a personagem acabou morrendo para salvar seu primo. Triste fim para a loira? Claro que não! Para a nossa alegria, um ano depois a DC Comics lançou a HQ “Action Comics #252“, iniciando a primeira série da prima adolescente do Superman, vinda diretamente do planeta Krypton.

Quem é a Supergirl?

por-que-o-mundo-precisa-da-serie-da-supergirl

Ela é Kara-El, prima de Kal-El, o Superman. Ela conseguiu escapar da destruição de Kripton, pois Argo City, sua cidade natal, permaneceu intacta em uma redoma protetora. Porém, nem tudo deu certo para os últimos habitantes de Kripton. O solo de Argo City não resistiu a uma chuva de meteoros e uma radiação de kryptonita começou a vazar pelo solo. Esse problema acabou destruindo todos os kryptonianos e como último recurso, Zor-El enviou Kara ao planeta Terra na única nave existente. A garota chega ao nosso planeta com um uniforme semelhante ao seu primo e com os mesmos poderes! É a vez das mulheres no poder.

Kara encontra seu primo e pede que o mesmo guarde segredo sobre sua existência até que esteja devidamente preparada para ser apresentada ao mundo. Ela então passa a se esconder em um orfanato (Midvale), usando o nome de Linda Lee. Nas histórias seguintes foi adota pelo casal Danvers, passando a se chamar Linda Lee Danvers. Enquanto tenta se adaptar ao nosso mundo, combate o crime e ajuda seu primo, usando todos os seus super poderes.

Supergirl no cinema e na TV!

filme-da-supergirl

Além dos quadrinhos, a personagem também ganhou outras mídias, como o cinema e a televisão. Em 1984 foi lançado o filme da Supergirl, estrelado por Helen Slater. Com o sucesso dos filmes do Superman, o estúdio quis faturar um pouco mais e lançou a história da super garota com super poderes. Com um orçamento de US$ 35 milhões, não conseguiu corresponder às expectativas nas bilheterias e tornou-se um dos grandes fracassos daquele ano. O mundo ainda não estava preparado para um filme solo de uma super-heroína?

Anos mais tarde, a personagem ganhou um papel recorrente na 7ª temporada da série de TV “Smallville“, que conta a história do Superman. Interpretada por Laura Vandervoort, sua aparição foi o principal arco da temporada e serviu para contar, mais uma vez, a história de Kara-El. Porém, para a tristeza de seus fãs, sua participação ficou restrita apenas a uma temporada.

Qual teria sido o problema dessa vez? A personagem ainda não estava do jeito que o público esperava? A atuação da atriz não correspondeu ao papel? Talvez nem um nem outro, o seriado já vinha demonstrando cansaço há várias temporadas e por coincidência ou não, esse foi o último ano com os produtores originais. No ano seguinte, a produção retornou com um novo time sob seu comando e sem a Kara.

Por que o mundo precisa de uma série da Supergirl?

por-que-o-mundo-precisa-da-serie-da-supergirl3

Se ela não deu certo no cinema, muito menos na série de TV “Smallville“, por que então apostar tanto assim em uma série que tem a própria Supergirl como protagonista?

Vamos começar pelo mais básico! Há tempos não se via os super-heróis tão fortes e midiáticos. A Marvel, editora concorrente da DC Comics, conseguiu construir um universo coeso nos cinemas, dando novas possibilidades aos personagens que integram a história da cultura pop. Com isso, os quadrinhos também ganharam mais força! O que é bem óbvio, né? Com o sucesso nos cinemas, grande parte do público que não estava familiarizado com as histórias originais passou a procurar mais informações e expandir essa forma de entretenimento. O que é ótimo, diga-se de passagem.

E como é esse novo público? O mais diversificado possível! Assim como a nossa sociedade. Estamos passando por uma fase de grandes mudanças, principalmente de quebra de paradigmas. O tradicional está se abrindo para o novo, o que é sempre bem-vindo. E grande parte desse “novo público” é composto por mulheres, que estão cada vez mais interessadas por esse tipo de entretenimento. E se elas estão consumindo cada vez mais, precisam ser respeitadas, e acima de tudo, representadas através dessas histórias.

As mulheres estão presentes nos quadrinhos de super-heróis há várias décadas. Como mesmo vimos, a Supergirl surgiu em 1958 (é tempo pra caramba) e é só uma das heroínas que compõem esse universo gigantesco. A Mulher-Maravilha está em atividade desde a década de 40. Porém, elas nem sempre foram retratadas como deveriam (e muitas vezes ainda não são). Os roteiristas estavam mais preocupados em explorar os belíssimos corpos femininos que qualquer outra coisa. O sexismo estava muito carregado, principalmente pelos uniformes. Dá pra acreditar que a Mulher-Maravilha passou anos com aquele uniforme minúsculo? Sem contar que elas estavam sempre por trás, fazendo figuração para que um dos grandes super-heróis masculinos roubasse a cena. Será que é assim que as mulheres que leem histórias de quadrinhos querem ser representadas? Não, né?

Com o passar dos anos, com o aumento da venda de quadrinhos estrelados por mulheres,as grandes editoras precisaram se adaptar ao novo momento da nossa sociedade. Não dá pra dizer que conseguimos solucionar totalmente esse problema e que não há preconceito de gênero dentro desse universo. Óbvio que não, muita coisa tem que mudar! Mas diante das novas medidas adotadas pelas empresas podemos dizer que os primeiros passos estão sendo dados. O lance está caminhando pra algo que pode ser muito positivo.

Ultimamente conseguimos coisas bastante interessantes, como a reformulação da “Batgirl“, que ganhou um novo uniforme (bem menos apelativo e muito mais funcional para as necessidades de uma mulher) e novas histórias dentro de seu próprio universo. A própria “Supergirl” ganhou uma nova versão no último reboot feito pela DC Comics.

Recentemente, na Marvel, uma mulher assumiu a identidade do Thor, criando uma nova versão do Vingador. E essa mudança foi muito bem retratada nos roteiros das HQs, que compraram a briga da personagem, que precisou lutar contra o machismo até dos vilões. Em um combate com o vilão Super-Absorvente, ele tem a audácia de dizer o seguinte comentário: “Eu devo chamá-la de ‘Thor’? As malditas feministas estão arruinando tudo!” E continuou… “Você quer ser Thor? Eu vou te tratar como Thor”. Ela responde:  “Do tipo que vai quebrar seu queixo!” Ela continua em pensamento: “Isso é por ter dito ‘feministas’ como se esta palavra fosse merda! E também… Você sabe… Por ter roubado!”.

por-que-o-mundo-precisa-da-serie-da-supergirl2

São por momentos e diálogos como esse que não podemos desistir de lutar pela igualdade dos direitos e não digo apenas na cultura pop e nos quadrinhos, mas em todos os setores da nossa sociedade.

A reação do público foi tão positiva que a HQ tornou-se a 8ª mais vendida, com quase 70 mil exemplares. Com essas medidas já é possível medir a reação do público, que está comprando cada vez mais essa ideia. E o que eles precisam entender é que as mulheres inseridas dentro de suas histórias devem assumir um papel importante, que as caracterizem de maneira positiva, deixando de servir apenas como um atrativo para que mais homens comprem HQs.

Até o próprio cinema está sendo impactado por essas mudanças. Essa mídia sempre foi responsável pela alta popularidade dos super-heróis, mas ainda está longe de ser um exemplo de diversidade. Porém, as coisas estão começando a mudar. Tudo bem que a Marvel, por exemplo, continua relutante em fazer um filme solo da Viúva Negra, mas já confirmou uma produção estrelada pela Capitã Marvel, o que é algo incrível. Já a DC Comics e a Warner Bros. confirmaram o filme da Mulher-Maravilha. E isso é só o começo!

Diante desses fatos, será que é preciso ainda responder a pergunta do título deste post? Acho que não, né?

Uma série da Supergirl, em meio a várias outras produções do gênero estreladas por personagens masculinos, é um importante passo nesta batalha do lado de cá. E pelo que vimos no primeiro trailer, ela está totalmente voltada ao público feminino. Tentar romantizar a história da personagem é uma opção? Não dá pra fazer um julgamento precipitado, antes do lançamento, mas se eles souberem trabalhar em cima disso, pode ser algo positivo. Uma das falas da Supergirl é que ela quer ser ela mesmo e não importa o que digam. O que é ótimo! Tem que ter falas que façam refletir e levantar a auto-estima das mulheres sim! Afinal, essa é a função de ser uma Girl Power!

Sem contar que a personagem pareceu bem coesa, independente, buscando ser reconhecida dentro do mercado de trabalho. Quer exemplos melhores que esses? A Supergirl conversa diretamente com as mulheres, que vão gostar de saber, que apesar dos super poderes, há diversos outros problemas que precisam ser enfrentados e não há nada que elas não consigam fazem tão bem ou até melhores que os homens. E outra coisa: ninguém deve fugir à luta!

Deu pra entender sua importância? Por que precisamos dessa série? Agora só nos resta aguardar pelo lançamento da série durante a Fall Season 2015. Vamos torcer para que surpreenda e conquiste uma boa audiência. Elas merecem!