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Diferente das edições anteriores, neste ano, as mulheres não receberam a devida atenção dos organizadores do Rock in Rio. Para você ter uma ideia, entre os headliners, a única mulher que fecharia uma das noites seria Lady Gaga, que precisou cancelar sua participação por motivos de saúde.

Para substitui-la na noite de sexta-feira, 15, o festival convocou a banda Maroon 5, headliner do dia seguinte. Apesar de soar mais pop do que outrora, nem de longe o público da Gaga conversa com as músicas de Adam Levine e companhia. Uma falha da produção por não ter pensado em um plano B melhor? Fica a questão!

Além de Gaga, apenas outras três mulheres foram convidadas para integrar a programação do Palco Mundo: Ivete Sangalo, Fergie e Alicia Keys. Para um festival que já recebeu nomes como Beyoncé, Katy Perry e Rihanna, faltou a presença de mais “divas” da música pop. Sem a Mother Monster, coube à Ivete Sangalo, patrimônio do nosso Brasil, o papel de grande Diva. E não só da primeira noite, como do fim de semana pop.

Logo na abertura, a baiana mostrou o porquê de ser lembrada há tantos anos pela produção de Medina. Ela tem brilho, talento e carisma para comandar uma multidão ensandecida. E por que antes mesmo de Fergie e Alicia Keys subirem ao palco, já considero Ivete Sangalo a grande diva pop da edição? As duas cantoras que ainda se apresentarão no Palco Mundo são talentosas e apresentam trabalhos impecáveis, mas não possuem popularidades de divas aqui no Brasil, como é o caso de Lady Gaga – que infelizmente precisou cancelar sua apresentação. E sabemos que Ivete é sim um nome popular, querido e, digamos que quase unanime em nosso país. Uma diva pop… Do axé!

E parecia que Ivete estava adivinhando o cancelamento de Gaga. Com uma estrutura digna de shows internacionais, a cantora trouxe ao palco uma nova proposta de cenário, dando mais brilho e interatividade ao show. Além disso, a apresentação foi marcada pelo retorno do time de bailarinos, há tanto tempo deixado na geladeira pela produção da cantora. Preciso dizer que está mais do que na hora de Ivete “adotá-los” de novo. Eles deram um charme todo especial aos grandes hits da baiana. As coreografias já não lembram as bailarinas do Faustão e os figurinos estão muito mais modernos. Por falar em figurino, Ivete também arrasou com um visual que parecia inspirado em Ariana Grande. Era todo Swarovski, tá meu bem?

Ivete Sangalo também deu espaço à diversidade, alertando aos presentes e a todos que assistiam de casa, que ainda precisamos lutar contra o racismo, a homofobia e a destruição da nossa Amazônia. Tudo isso ao som de uma releitura de Cazuza, deixando o nosso dia muito mais feliz. Antes de encerrar seu show, conversou com os fãs da Gaga e ainda arriscou um pedacinho de “Bad Romance“. O público foi ao delírio!

Ivete Sangalo, brasileira, nordestina, baiana, pode se orgulhar. Ela é a A mulher do Rock in Rio 2017!

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Alicia Keys é uma cantora indescritível. Seu talento é reconhecido pelos grandes nomes da música, assim como pela crítica e claro, pelo grande público. É inegável o poder de sua voz. E o quanto ela capricha em seus trabalhos. Mas não é sobre sua música que quero falar hoje. Mas sim sobre suas sardas. Você deve se perguntar: mas que sardas? É, eu pelo menos não sabia que a cantora ostentava lindas sardas em seu rosto. Talvez pela maquiagem pesada ou pelos efeitos da manipulação de imagem. O fato é que o mundo agora conhece suas sardas.

Mas, tá, qual é a importância disso tudo? Posso dizer que é mais um passo para o fim, ou melhor, extermínio (para ser mais forte e preciso) da ditadura da beleza!

Vou explicar: ela não vai mais usar maquiagem, pois quer se sentir livre, sem sofrer pressão por parte de ninguém. Seu empresário vai achar ruim? Paciência! As revistas de beleza não vão aceitar muito bem? Fazer o que, né? O importante é que a Alicia agora se sente empoderada, dona do seu próprio corpo, e claro, das suas sardas. Para divulgar a novidade, ela é capa da revista “Fault” e de cara limpa. Isso não é fantástico? E não foi só isso: para o site Lenny Letter, da igualmente feminista Lena Dunham, escreveu uma carta aberta e explicou porque tomou essa iniciativa.

Todos chegamos em um momento de nossas vidas (especialmente as garotas) onde tentamos ser perfeitos“, comenta a cantora. “Escrevi uma lista de coisas que eu estava cansada. E uma delas foi o quanto as mulheres sofrem lavagem cerebral para ser magra, ou sensual, ou desejável, ou perfeita. Uma das muitas coisas que eu estava cansada era do constante julgamento das mulheres. O constante estereótipo que nos faz sentir que o tamanho normal, não é normal, e Deus nos livre se você for plus size”, desabafa.

Uau! Isso é muito forte, não é?

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Quando falamos de atingir a perfeição estamos nos referindo aos padrões impostos pela sociedade há várias décadas. Se você não segue esse padrão, você está fora da caixa e não tem aceitação social. Permanecer dentro de uma caixa significa perder a liberdade de vestir o que achar bonito, de se comportar da maneira que achar viável e, além de tudo isso, cuidar da aparência do jeito que se sentir bem. Esses padrões estéticos que são estipulados por diversos meios, pode causar consequências sérias na autoestima de uma mulher.

Mas agora eu pergunto: por que não experimentar sair da caixa e viver do jeito que você quiser? Foi essa a decisão de Alicia, que resolveu mostrar ao mundo seu rosto livre de maquiagem e manipulações digitais. E por que isso foi tão importante? Porque a cantora é um nome mundialmente conhecido. Ela está nas capas de revistas e estourando nas paradas mundo afora. Ela, como personalidade da mídia, pode influenciar várias mulheres manipuladas por esse mesmo padrão ditatorial a viverem suas vidas do jeito que quiser. O mais importante é ser fiel aos seus próprios sentimentos.

Afinal, se ela pode, por que você não? Como Alicia já disse uma vez em sua música “Superwoman”:

Por todas as mães que lutam, por dias melhores que virão. Por todas as mulheres sentadas aqui agora que tem que voltar para casa antes do sol se por. Para todas as minhas irmãs. Cantando juntas dizendo: Sim eu vou, sim eu posso.

Obrigado por sua luta, Alicia. O mundo precisa de mais pessoas como você. Nos vemos nos charts, porque agora queremos novos singles.