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Se você tem mais de 20 anos, com certeza já sonhou em dizer aquelas palavrinhas mágicas: “É hora de morfar!“.

Assim como muito de vocês, eu também já quis ser um dos Power Rangers. Quando soube que Hollywood queria trazer de volta os jovens guerreiros para mais uma versão nos cinemas, fiquei intrigado para saber como iriam apresentar essa história para uma nova geração. Uma história pela qual tenho muito carinho. Então é claro que fui ao cinema empolgado para conhecer os novos Rangers. Você quer saber o resultado?

O novo “Power Rangers” resgata o espírito de grandes clássicos juvenis, como “Clube dos Cinco” e “Conta Comigo“, tornando-se um filme necessário para uma crescente geração, que precisa reencontrar valores de amizade e lealdade em uma sociedade corrompida. E é muito importante quando jovens super-heróis conseguem representar tão bem o público com qual estão conversando e eles conseguiram, com maestria, fazer disso algo significativo.

Em “Clube dos Cinco“, um clássico dos anos 80, cinco adolescentes, com diferentes esteriótipos, são confinados no colégio para cumprir uma detenção. Apesar de serem pessoas completamente diferentes, eles começam a compreender que na verdade são mais semelhantes do que imaginavam. Cada um precisa lidar com um diferente tipo de expectativa. E não só deles, mas também da família. E a lição mais importante disso tudo é que eles podem contar uns com os outros.

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Esse também poderia ser facilmente o conceito do roteiro de “Power Rangers“. Mas neste caso, com super-poderes. E é neste ponto que o filme surpreende pela construção de suas personagens. Diferente do que estávamos acostumados a assistir nas temporadas das séries, essas personagens foram brilhantemente bem construídas. Assim como em qualquer história de origem, houve uma apresentação inicial antes de vermos os Rangers em ação.

A naturalidade em trabalhar com temas tão pertinentes ao universo dos jovens, aproxima o público da trama. O bullying, a homossexualidade, o autismo e a dificuldade no relacionamento familiar são alguns dos assuntos que rodeiam os novos Rangers: Jason (Dacre Montgomery), Kimberly (Naomi Scott), Zack (Ludi Lin), Trini (Becky G) e Billy (RJ Cyler).

Outro detalhe: que elenco bem escalado e sincronizado. Há uma química incrível entre os cinco protagonistas. Ponto para a produção!

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Voltando: Assim como no filme dos anos 80, esses cinco adolescentes se encontram – três deles na detenção, e aí que está uma referência ao longa juvenil – e precisam se unir após descobrirem algo misterioso em uma mina de ouro (as moedas do Poder que estão na Alameda dos Anjos). É neste momento que a trama dos Rangers começa a se desenvolver, abrindo espaço para a mitologia que já conhecemos da série original.

De imediato, as diferenças entre os novos super-heróis são maiores do que qualquer possibilidade de um acordo em grupo, mas o mais importante é que eles desenvolvem vínculos poderosos, que aliados à mitologia dos Rangers, mostra-se bastante convincente em cena. Os primeiros momentos deles juntos tentando descobrir o que eles são e o que eles podem ser, são com certeza, um dos momentos mais assertivos da narrativa. É mais do que morfar, é sobre lealdade, valorizar e respeitar verdadeiramente os amigos. É sobre arrependimento e expectativas frustradas. É um filme que com certeza carrega uma mensagem importante para a nova geração que está assistindo.

Trini, a Ranger Amarela, é uma garota de atitude forte, que vive se escondendo e evitando ao máximo sua vida social. Ela não parece se encaixar em nenhuma tribo e encontra nos seus novos amigos, um momento de escape para ser quem ela sempre quis ser. A rápida introdução sobre sua homossexualidade foi feita de forma simples e sutil, do jeito que deveria ser. Esse é um ponto que deve ser destacado na construção dessas personagens: sutileza. Já Kimberly, a Ranger Rosa, é a típica garota popular da escola, que depois de um episódio de bullying, é expulsa do grupo de amigas e passa a viver na sombra dos excluídos. Ela carrega a dor de um erro cometido e transmite uma mensagem de que se arrepender e assumir seus erros é uma virtude. As duas Rangers são empoderadas. Mas esse empoderamento é algo naturalizado, o que torna tudo ainda mais interessante.

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Billy, o Ranger Azul, é o escape cômico do filme, mas também carrega consigo questões pertinentes. Ele é vítima de bullying entre os colegas da escola, que não o compreendem. Cuidado que você vai se emocionar com ele! Zack, o Ranger Preto, é o que menos se destaca entre os jovens, mas ainda assim uma boa personagem. Jason, o Ranger Vermelho, convence como líder e carrega consigo dores de expectativas frustradas, que o fazem querer mudar de vida. E esse também é um ponto positivo da trama, que não trata os heróis como adolescentes perfeitos, mas cheios de erros e medos.

Entre os destaques do filme, temos Rita Repulsa, interpretada pela sempre maravilhosa Elizabeth Banks. A história da personagem por si só já é muito interessante. Uma das teorias dos fãs realmente se concretizou e somos apresentados a uma vilã macabra, bem diferente da versão pitoresca vista na série. A personagem tem dois momentos: o primeiro, quando ela retorna e ainda não está em sua verdadeira forma. E o segundo, quando já vemos Rita do jeitinho que foi divulgado em trailers e imagens. Elizabeth deu um tom ideal para a personagem. Que pode até ter tido uma rápida inspiração no Coringa de Heath Ledger. Em uma determinada cena, Rita explode uma joalheria e sai do local em passos apressados e confusos, que lembra bastante uma cena do palhaço macabro em “O Cavaleiro das Trevas“, quando ele explode um hospital. Ponto para a construção da Banks!

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Quando os novos Power Rangers estão prontos para a ação, eis que o filme entra em um terceiro ato. E só neste momento eles vestem as armaduras. Ou seja, finalmente a hora de morfar. O visual ficou caprichado e bem acima das expectativas. É diferente do que tínhamos na série e muito mais próximo ao mundo real. O que também é algo que perceptível em toda a direção e fotografia. Desde o início percebemos uma direção caprichada em apresentar algo fora da zona de conforto. Os enquadramentos são pontos positivos da direção de Dean Israelite.

Para muitos fãs, isso pode até ser um problema, mas as cenas de ação não foram priorizadas pela direção. Mal vemos o grupo de heróis vestindo seus trajes, o que pode ser “consertado” já no próximo filme da franquia. Porque é claro que a Lionsgate pretende transformar os Power Rangers em uma franquia de sucesso. Detalhe que tem cenas pós-créditos e elas revelam algo muito interessante para os fãs. É fanservice puro!

O primeiro longa acerta mais do que erra, principalmente se levarmos em consideração que temos aqui um reinicio, uma oportunidade de começar de novo. Pode não ter sido satisfatório ao mostrar os heróis em ação, mas construiu uma base muito sólida para o que está por vir. As relações entre eles foram o carro-chefe dessa trama, que explorou de forma satisfatória o universo dos jovens, mostrando a eles que podem ser o que quiserem, independente do que as pessoas vão pensar. Temos então o retorno triunfal dos Power Rangers e mal posso esperar para saber mais sobre os próximos filmes. Vou ficando por aqui, espero seu comentário para continuarmos conversando sobre o longa. Até a próxima!

Postado por Thiago Moreira

Editor-Chefe do Papo de Blogueiro. Viciado em cinema, televisão, música e tudo relacionado à cultura POP. Estuda Publicidade e Propaganda nas horas vagas.