Christian Bale;Jeremy Renner;Bradley Cooper

Christian Bale;Jeremy Renner;Bradley Cooper

A Sony Pictures convidou o Papo de Blogueiro para assistir ao filme Trapaça, que estreia no Brasil em 07 de fevereiro, e fui até lá conferir um dos favoritos ao Oscar deste ano. 

Ficha Técnica
Gênero: Drama – Crime
Direção: David O. Russell 
Roteiro: Eric Singer e David O. Russell

Elenco: Christian Bale, Bradley Cooper, Amy Adams, Jeremy Renner, Jennifer Lawrence, Louis C.K., Jack Huston, Michael Peña, Shea Whigham, Alessandro Nivola, Elisabeth Röhm e Paul Herman

Na primeira cena do filme somos apresentados ao barrigudo e calvo Irving Rosenfeld (Christian Bale), que leva alguns minutos para arrumar algo que se parece com cabelo, e de cara podemos perceber a incrível capacidade que Bale tem de se transformar em seus papeis. Em O Vencedor, filme também dirigido por David O. Russel, que lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, vemos um Bale quase que esquelético. Um ano depois está musculoso e em forma pra viver o Batman, em o Cavaleiro das Trevas Ressurge. Desta vez, em Trapaça, o vemos como um “tiozão” barrigudo e careca, porém elegante.

Em seguida vemos como Irving conheceu sua futura amante e sócia Sydney Prosser (Amy Adams). Enquanto o filme mostrava o encontro, ouvíamos as narrações dos próprios personagens, método que foi utilizado em vários outros momentos do filme. Durante a cena, uma frase dita por Sydney serve como uma boa definição de Irving: “ele era quem ele era, e não se importava“. Tinha um jeito calmo e duro de falar, e desde criança aprendeu que devia sempre estar no comando pra não depender dos outros. Ao encontrar Sidney sentiu-se finalmente completo, pois arrumara uma parceira não só no amor como pro seu “negócio”, que ia da venda de obras de arte (roubadas ou falsas) a falsos empréstimos para pessoas desesperadas. Com a nova dupla formada, aumentaram significativamente seus lucros e ampliaram o negócio. Em casa, viviam sua problemática esposa Rosalyn (Jennifer Lawrence) e seu filho, que era um dos principais motivos por ele ainda não ter se divorciado.

critica-filme-trapaca

Até que surge o imprevisível e sempre prestes a explodir Richard DiMaso (Bradley Cooper), que se infiltra como possível cliente e, após Sydney cair em sua armadilha, revela-se ser um agente do FBI. A partir disso a trama se inicia, pois com a prisão de Sydney, Irving se vê obrigado a aceitar a proposta do tira Richie, que se trata em ajudá-lo a prender quatro outros golpistas como ele, em troca de imunidade para o casal.

A partir do momento em que os personagens começam a se entrelaçar na história, é incrível ver o entrosamento do elenco. David O. Russel traz Bale e Adams, com quem já havia dirigido em O Vencedor, e Cooper e Lawrence de O Lado Bom Da Vida. Os quatro, com a companhia de Jeremy Rener como o prefeito Carmine Polito, formam um dos melhores elencos do ano, não só pelo nome, mas pelas grandes atuações de fato. Tendo até o comediante Louis C.K. vivendo muito bem o chefe de Bradley Cooper, e uma pequena participação de Robert De Niro. Apesar deste trabalho de Russel não ser tão autoral como outros, ele continua mostrando uma grande preocupação e carinho com seus personagens.

Christian Bale;Amy Adams;Bradley Cooper

A primeira metade do filme é um pouco cansativa. Nela temos a apresentação de cada um dos personagens e do plano inicial do grupo, ficando difícil assimilar exatamente qual suas funções e onde eles querem chegar. A partir da entrada do sheik (Michal Peña), a trama acelera e segue até o fim em um ritmo que te prende à história e aos eventos que vão seguindo.

Como disse anteriormente, esse não é um dos trabalhos mais autorais de Russel. Ao assistir Trapaça nota-se uma relação muito próxima com filmes de Scorsese, como o excelente Os Bons Companheiros, porém, sem toda aquela violência (quase nula na verdade), e também Boogie Nights, de Paul Thomas Anderson. Apesar das semelhanças, American Hustle não se trata de um wannabe Scorsese, apenas traz, propositalmente, grandes referências. É como Irving diz pra Richie, enquanto observam um quadro de um famoso artista, que na verdade se trata de uma ótima falsificação: “Quem é o mestre, afinal, o pintor ou o falsificador?“. Trapaça está muito longe de ser uma cópia, e como bem disse Irv, suas semelhanças não tira a qualidade do autor, nem do filme em si.

Qualidade esta que Jennifer Lawrence demonstra claramente em mais uma grande atuação, vivendo a histérica e depressiva esposa de Irving. Ela se define muito bem durante um diálogo num restaurante onde falava sobre seu esmalte: “É como perfume, mas também há algo podre dentro“. “… São os melhores perfumes do mundo, Irving os adora”. Ela volta a repetir este fato durante uma conversa com Sydney, onde supôs que talvez sejam estas as características que, segundo ela, as duas possuíam, e que gerava interesse por parte dele. E com razão.

Apesar da beleza estonteante e das dezenas de decotes utilizados por Sydney, o que mais atraiu Irving desde o início era sua personalidade. Além de inteligente, com Syd ele “sentia-se como se finalmente pudesse ser quem ele era, sem ficar envergonhado ou embaraçado“. Amy Adams pode não se destacar tanto quanto Jennifer Lawrence no filme, mas cumpre com enorme eficiência seu papel. Enquanto Adams se mantinha de certa forma constante, devido à própria personagem, Lawrence tomava conta da cena. Foi ela quem trouxe a maioria dos momentos cômicos do filme, em alguns deles parecendo até exagerar um pouco na atuação, mas sem comprometer o papel.

Um dos momentos cômicos, mas também dispensável, é durante a música “Live and Let Die”, na qual cantava histericamente enquanto limpava a casa. Em vários outros momentos houveram também personagens cantando junto com a trilha sonora, que diga-se de passagem, é excelente. Trouxe várias canções da década de 70 e 80, de Donna Summer a Bee Gees, dando um clima particular às cenas.

Christian Bale;Jeremy Renner;Jennifer Lawrence;Elisabeth Rohm

Um dos pontos mais problemáticos do filme é entender toda a história. Apesar de bons diálogos, o filme possui um roteiro um pouco intrincado, com transições cronológicas e constantes reviravoltas, de forma que fica complicado absorver todas as informações em pouco tempo. A frequente mudança de planos do grupo (sempre causada por Richie), gera certa confusão em relação aos reais objetivos e onde pretendem chegar. Apesar dessa dificuldade, não é algo que atrapalhe ao ponto de não conseguir acompanhar a trama. O que torna sem dúvida este filme num dos melhores do ano são as atuações e seus personagens. Eles fazem com que uma história não necessariamente original, sobre o mundo das trapaças, se torne interessante.

No filme não há o lado bom, o lado mau, mocinho ou vilão. Nele todos são gananciosos e, sempre em busca de algo, fazem de tudo pra conseguirem o que desejam, na maioria das vezes passando por cima de outros sem pestanejar. Cada um na história tem sua própria ética, não existe o certo nem o errado. Como bem disse Irving, “É assim que o mundo funciona. Não preto e branco, como você diz, mas extremamente cinza“.

Por João Paulo.

Postado por Colaboradores Papo de Blogueiro


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