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Mesmo em uma realidade ainda longe do ideal, as mulheres vêm conquistando mais espaço nos grandes blockbusters do cinema. Como fã de cultura pop e apreciador da sétima arte, tenho orgulho de vivenciar este momento histórico na luta pela igualdade de gêneros também no meio cinematográfico.

Quando li as primeiras notícias relacionadas à “Atômica“, me empolguei por ser um filme que faz parte desse movimento. Estrelado e também produzido por uma mulher, a incrível Charlize Theron, conhecemos à implacável espiã Lorraine Broughton, também conhecida como a assassina mais letal do MI6. Temos aqui então um longa tipicamente voltado ao público masculino, que agora tem sob o seu comando, uma mulher forte e empoderada. São os novos tempos chegando a Hollywood, equilibrando o jogo e trazendo mais diversidade às salas de cinema. That’s it! 

Mas além de toda a representação feminina, o que você pode esperar de “Atômica“? Baseado na HQ “The Coldest City“, a trama acompanha uma espiã joia da coroa do Serviço de Inteligência de Sua Majestade. Ela está disposta a utilizar qualquer uma de suas habilidades para sobreviver à sua missão impossível às vésperas da demolição do Muro de Berlim. Enviada à Alemanha para recuperar uma lista de valor inestimável para o seu país e aliados, se une ao chefe da estação local David Percival (James McAvoy) para navegar por um jogo letal de espiões.

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Dirigido por David Leitch, temos um filme de ação implacável, pelo menos quando se trata de cenas de ação. Neste ponto, é um dos mais bem dirigidos que já tive o prazer de assistir. Se você não sabe, Leitch é codiretor de “De Volta ao Jogo“, responsável por cenas incríveis que fazem você suar frio na sala de cinema. Com “Atômica“, ele também não mediu esforços. Pelo contrário, o diretor consegue elevar o nível. Primeiro porque a fotografia chama atenção desde os primeiros minutos de projeção. As luzes neon ajudam a compor o clima de Berlim na época da queda do Muro, trazendo mais sensualidade e digamos que um toque tech noir. Apesar dos conflitos que aconteciam entre os dois lados do muro, a vida noturna era agitada e, digamos que, muito sensual. E segundo, para quem é mais ligado em técnicas e detalhes de filmagens, Leitch preparou planos-sequência para incrementar a história. Uma das cenas mais empolgantes é um plano-sequência que dura quase 15 minutos. É um combate corpo a corpo que vai deixar você vidrado na tela do cinema.

Já que falei da Charlize Theron no início do texto, destacando sua importância como protagonista feminina, não posso deixar de analisar o seu desempenho de forma geral. Em vários momentos, fiquei pensando: “Meu Deus, essa mulher é mesmo de verdade?” A entrega da atriz é muito nítida em vários momentos da produção, principalmente durante as cenas em plano-sequência. E não foi só tiro, porrada e bomba. Ela entrega uma personagem densa, de poucas palavras e muitos mistérios. E apesar de ser sempre muito invulnerável, quase implacável, também é responsável pelo pouco alívio cômico em cena. Uma tirada aqui, outra ironia ali. Tudo na medida. Até quando precisou demonstrar um pouco mais de sua humanidade. Tudo feito sob medida pela Charlize em mais um papel muito satisfatório.

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Outra grande protagonista é a trilha sonora. Estão lembrados de “Baby Driver”? Pois é! Os mais saudosistas dos anos 80 com certeza vão se empolgar com as músicas que fizeram sucesso na época. E a trilha tem sua importância quando casa direitinho com as personagens em cena. Parece que o George Michael está mesmo cantando para a espiã Lorraine. E além disso, tem seu papel diegético na produção. Mas o que isso significa? É quando um som pode ser ouvido também pelas personagens que estão em cena. Por exemplo, em um momento “x” do filme, tal personagem precisou aumentar o volume do som para não ser ouvida por escutas ilegais. E mais um detalhe: quem é antenado em história musical, vai sacar diversas referências. Legal, né?

Atômica” é impecável? Não! O longa aborda os momentos históricos que antecedem a queda do muro de Berlim, e por isso, apresenta um enrendo denso, com muitos elementos que podem confundir os mais desatentos. E até mesmo quem está vidrado na tela. Ou seja se você se perder em algum momento, não fique preocupado. Isso pode acontecer com a maioria das pessoas já que se trata de um problema de construção narrativa. Muito foco em lutas incríveis, e um tanto menos no desenvolvimento do roteiro. Que por sinal, é assinado por Kurt Johnstad. Outro problema que pode incomodar são as cenas mais improváveis de ação, que de vez em quando nos fazem desacreditar na trama. É aquela coisa, né? Fazer o quê?

Para fechar, o filme tem sua importância na representação feminina nos blockbusters de ação de Hollywood e é um bom entretenimento para os fãs do gênero. Uma direção caprichada, um roteiro que tem seu esforço (mas nada muito além do normal) e um elenco afiado em cena. Vale o ingresso e o seu prestígio. Até a próxima!

Postado por Thiago Moreira

Editor-Chefe do Papo de Blogueiro. Viciado em cinema, televisão, música e tudo relacionado à cultura POP. Estuda Publicidade e Propaganda nas horas vagas.