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Escrever sobre as obras de Darren Aronofsky não é uma tarefa fácil até para os profissionais mais experientes da sétima arte. Isso porque o diretor imprime um estilo de narrativa único em todos os seus trabalhos, conversando diretamente com o surrealismo, sem esquecer a ousadia, um trunfo permitido aos mais irreverentes do cinema. As histórias são representadas através de gestos, expressões faciais e movimentos, que ajudam a complementar o seu trabalho.

Quem já assistiu a algum de seus filmes, sabe que vale a máxima do efeito “ame ou odeie”, mas independente de gostar ou não, é impossível ficar indiferente ao que é visto em cena. E foi exatamente assim que me senti após assistir ao seu novo projeto, “Mãe!“, que estreia nesta quinta-feira, 21 de setembro, nos cinemas.

A trama acompanha intimamente a relação de um casal que vive isolado aproveitando os bons momentos da vida. A jovem, interpretada por Jennifer Lawrence, ocupa seus dias reconstruindo a casa do poeta amado, vivido por Javier Bardem, que fora destruída em um incêndio. Tudo muda com a chegada de um misterioso homem (Ed Harris), que prontamente é acolhido pelo dono da casa. A partir de então, uma série de acontecimentos, muitos deles perturbadores, mudam a rotina do casal, nos levando a uma experiência psicológica como há muito tempo não víamos nas telas do cinema.

A sinopse descrita acima certamente não revela a real intenção desta trama idealizada por Darren. A experiência de “Mãe!” está no simples fato de assistir e interpretar as representações criadas em cena. Descobrir o que há escondido por trás de cada metáfora acaba tornando-se uma interação entre Darren, do seu alto comando, e o público, que precisa extrair o máximo possível de cada cena. É uma experiência individual, que cabe às sensações de cada pessoa. Sendo assim, tudo que eu disser aqui ainda não é o bastante para descrever a produção, cabendo a você vivenciar esse momento na sala do cinema.

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A história é contada, literalmente, do alto do ombro da protagonista vivida por Jennifer Lawrence. A câmera, como você pode ver acima, é anexada sob os ombros da atriz e assim, a trama é desenvolvida exatamente do ponto de vista da mulher, que também é esposa e mãe. Sua subjetividade é escancarada ao público, nos fazendo sentir seus medos e suas angústias ao deparar-se com o inesperado em um lugar sagrado, como a sua casa. Nesta imersão à subjetividade da protagonista, o diretor se aproveita dos simbolismos para tratar de alguns fardos de ser mulher em uma sociedade predominantemente machista. Em uma das cenas, é perturbador quando percebemos o quanto é difícil ela ser ouvida pelos demais. Em certo momento, ninguém a leva a sério e duvidam de suas palavras.

E por falar na grande protagonista, não há como analisar “Mãe!” sem dar os devidos créditos ao excelente trabalho de Jennifer Lawrence. A atriz contracena com grandes nomes do cinema, como Javier Bardem e Michelle Pfiffer, mas experiente do jeito que é, toma de conta da produção. Ela vai do céu ao inferno em poucos minutos e consegue convencer o público de qualquer coisa que seja, mesmo que sua personagem não seja um livro aberto diante da narrativa. Um trabalho primoroso, que a consagra de uma vez por todas, como um dos maiores nomes da sétima arte. Por falar nisso, assista a um depoimento da atriz sobre as filmagens do longa:

Quando o filme se desenrola para o último ato, percebemos a ousadia da narrativa de Darren Aronofsky de forma mais aguçada. Ele leva sua trama ao limite, conduzindo os atores de forma ainda mais teatral, nos entregando um pouco de sua personalidade megalomaníaca, que pode ser visto, inclusive, nas cenas violentas que também marcam esta narrativa.

Quem acompanha sua carreira sabe o quanto ele trabalha com temas religiosos em suas metáforas, e aqui não é diferente. Não há como entregar mais detalhes da trama sem revelar alguns spoilers. Dessa forma, não posso me prolongar para não estragar a sua experiência. Mas esteja preparado para descobrir outro lado de atores tão consagrados de Hollywood.

Mãe!” pode ser considerado controverso, ousado e muitos podem não comprar a ideia, mas não há como negar que seja uma obra diferente de tudo que está sendo feito nos dias atuais. É um filme para debater na mesa de bar com os amigos. Para ser lembrados na premiações. Para aguçar discussões mais calorosas sobre a sétima arte. É um filme memorável, que, você gostando ou não, vai ficar na sua cabeça e na sua língua por muito tempo.

Antes de ir embora, assista ao trailer de “Mãe!”:

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Diferente das edições anteriores, neste ano, as mulheres não receberam a devida atenção dos organizadores do Rock in Rio. Para você ter uma ideia, entre os headliners, a única mulher que fecharia uma das noites seria Lady Gaga, que precisou cancelar sua participação por motivos de saúde.

Para substitui-la na noite de sexta-feira, 15, o festival convocou a banda Maroon 5, headliner do dia seguinte. Apesar de soar mais pop do que outrora, nem de longe o público da Gaga conversa com as músicas de Adam Levine e companhia. Uma falha da produção por não ter pensado em um plano B melhor? Fica a questão!

Além de Gaga, apenas outras três mulheres foram convidadas para integrar a programação do Palco Mundo: Ivete Sangalo, Fergie e Alicia Keys. Para um festival que já recebeu nomes como Beyoncé, Katy Perry e Rihanna, faltou a presença de mais “divas” da música pop. Sem a Mother Monster, coube à Ivete Sangalo, patrimônio do nosso Brasil, o papel de grande Diva. E não só da primeira noite, como do fim de semana pop.

Logo na abertura, a baiana mostrou o porquê de ser lembrada há tantos anos pela produção de Medina. Ela tem brilho, talento e carisma para comandar uma multidão ensandecida. E por que antes mesmo de Fergie e Alicia Keys subirem ao palco, já considero Ivete Sangalo a grande diva pop da edição? As duas cantoras que ainda se apresentarão no Palco Mundo são talentosas e apresentam trabalhos impecáveis, mas não possuem popularidades de divas aqui no Brasil, como é o caso de Lady Gaga – que infelizmente precisou cancelar sua apresentação. E sabemos que Ivete é sim um nome popular, querido e, digamos que quase unanime em nosso país. Uma diva pop… Do axé!

E parecia que Ivete estava adivinhando o cancelamento de Gaga. Com uma estrutura digna de shows internacionais, a cantora trouxe ao palco uma nova proposta de cenário, dando mais brilho e interatividade ao show. Além disso, a apresentação foi marcada pelo retorno do time de bailarinos, há tanto tempo deixado na geladeira pela produção da cantora. Preciso dizer que está mais do que na hora de Ivete “adotá-los” de novo. Eles deram um charme todo especial aos grandes hits da baiana. As coreografias já não lembram as bailarinas do Faustão e os figurinos estão muito mais modernos. Por falar em figurino, Ivete também arrasou com um visual que parecia inspirado em Ariana Grande. Era todo Swarovski, tá meu bem?

Ivete Sangalo também deu espaço à diversidade, alertando aos presentes e a todos que assistiam de casa, que ainda precisamos lutar contra o racismo, a homofobia e a destruição da nossa Amazônia. Tudo isso ao som de uma releitura de Cazuza, deixando o nosso dia muito mais feliz. Antes de encerrar seu show, conversou com os fãs da Gaga e ainda arriscou um pedacinho de “Bad Romance“. O público foi ao delírio!

Ivete Sangalo, brasileira, nordestina, baiana, pode se orgulhar. Ela é a A mulher do Rock in Rio 2017!

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Mesmo em uma realidade ainda longe do ideal, as mulheres vêm conquistando mais espaço nos grandes blockbusters do cinema. Como fã de cultura pop e apreciador da sétima arte, tenho orgulho de vivenciar este momento histórico na luta pela igualdade de gêneros também no meio cinematográfico.

Quando li as primeiras notícias relacionadas à “Atômica“, me empolguei por ser um filme que faz parte desse movimento. Estrelado e também produzido por uma mulher, a incrível Charlize Theron, conhecemos à implacável espiã Lorraine Broughton, também conhecida como a assassina mais letal do MI6. Temos aqui então um longa tipicamente voltado ao público masculino, que agora tem sob o seu comando, uma mulher forte e empoderada. São os novos tempos chegando a Hollywood, equilibrando o jogo e trazendo mais diversidade às salas de cinema. That’s it! 

Mas além de toda a representação feminina, o que você pode esperar de “Atômica“? Baseado na HQ “The Coldest City“, a trama acompanha uma espiã joia da coroa do Serviço de Inteligência de Sua Majestade. Ela está disposta a utilizar qualquer uma de suas habilidades para sobreviver à sua missão impossível às vésperas da demolição do Muro de Berlim. Enviada à Alemanha para recuperar uma lista de valor inestimável para o seu país e aliados, se une ao chefe da estação local David Percival (James McAvoy) para navegar por um jogo letal de espiões.

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Dirigido por David Leitch, temos um filme de ação implacável, pelo menos quando se trata de cenas de ação. Neste ponto, é um dos mais bem dirigidos que já tive o prazer de assistir. Se você não sabe, Leitch é codiretor de “De Volta ao Jogo“, responsável por cenas incríveis que fazem você suar frio na sala de cinema. Com “Atômica“, ele também não mediu esforços. Pelo contrário, o diretor consegue elevar o nível. Primeiro porque a fotografia chama atenção desde os primeiros minutos de projeção. As luzes neon ajudam a compor o clima de Berlim na época da queda do Muro, trazendo mais sensualidade e digamos que um toque tech noir. Apesar dos conflitos que aconteciam entre os dois lados do muro, a vida noturna era agitada e, digamos que, muito sensual. E segundo, para quem é mais ligado em técnicas e detalhes de filmagens, Leitch preparou planos-sequência para incrementar a história. Uma das cenas mais empolgantes é um plano-sequência que dura quase 15 minutos. É um combate corpo a corpo que vai deixar você vidrado na tela do cinema.

Já que falei da Charlize Theron no início do texto, destacando sua importância como protagonista feminina, não posso deixar de analisar o seu desempenho de forma geral. Em vários momentos, fiquei pensando: “Meu Deus, essa mulher é mesmo de verdade?” A entrega da atriz é muito nítida em vários momentos da produção, principalmente durante as cenas em plano-sequência. E não foi só tiro, porrada e bomba. Ela entrega uma personagem densa, de poucas palavras e muitos mistérios. E apesar de ser sempre muito invulnerável, quase implacável, também é responsável pelo pouco alívio cômico em cena. Uma tirada aqui, outra ironia ali. Tudo na medida. Até quando precisou demonstrar um pouco mais de sua humanidade. Tudo feito sob medida pela Charlize em mais um papel muito satisfatório.

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Outra grande protagonista é a trilha sonora. Estão lembrados de “Baby Driver”? Pois é! Os mais saudosistas dos anos 80 com certeza vão se empolgar com as músicas que fizeram sucesso na época. E a trilha tem sua importância quando casa direitinho com as personagens em cena. Parece que o George Michael está mesmo cantando para a espiã Lorraine. E além disso, tem seu papel diegético na produção. Mas o que isso significa? É quando um som pode ser ouvido também pelas personagens que estão em cena. Por exemplo, em um momento “x” do filme, tal personagem precisou aumentar o volume do som para não ser ouvida por escutas ilegais. E mais um detalhe: quem é antenado em história musical, vai sacar diversas referências. Legal, né?

Atômica” é impecável? Não! O longa aborda os momentos históricos que antecedem a queda do muro de Berlim, e por isso, apresenta um enrendo denso, com muitos elementos que podem confundir os mais desatentos. E até mesmo quem está vidrado na tela. Ou seja se você se perder em algum momento, não fique preocupado. Isso pode acontecer com a maioria das pessoas já que se trata de um problema de construção narrativa. Muito foco em lutas incríveis, e um tanto menos no desenvolvimento do roteiro. Que por sinal, é assinado por Kurt Johnstad. Outro problema que pode incomodar são as cenas mais improváveis de ação, que de vez em quando nos fazem desacreditar na trama. É aquela coisa, né? Fazer o quê?

Para fechar, o filme tem sua importância na representação feminina nos blockbusters de ação de Hollywood e é um bom entretenimento para os fãs do gênero. Uma direção caprichada, um roteiro que tem seu esforço (mas nada muito além do normal) e um elenco afiado em cena. Vale o ingresso e o seu prestígio. Até a próxima!

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Planeta dos Macacos” é uma das franquias mais populares de Hollywood desde a década de 60. É referência para tantos outros trabalhos, assim como quase que obrigatório para qualquer fã de cinema. Em 2011, quando o diretor Rupert Wyatt recebeu a missão de retornar ao planeta dos nossos parentes distantes, ninguém esperava que ele fosse capaz de idealizar um dos mais impressionantes feitos de computação gráfica já visto na história da sétima arte.

Em parceria com o estúdio de Peter Jackson, ele nos surpreendeu ao apresentar o fantástico prelúdio “Planeta dos Macacos: A Origem“. Chimpanzés, gorilas e orangotangos tão realistas, que por muitas vezes foram capazes de nos confundir. “Tem certeza que eles não são de verdade?” Isso sem contar no protagonista Cesar, o super macaco inteligente interpretado por Andy Serkis. De fato, um blockbuster visualmente incrível e revolucionário. Com “Planeta dos Macacos: O Confronto” não foi diferente. Já assinado por Matt Reeves, os macacos, agora em maioria, estão muito mais desenvolvidos, o que exigiu ainda mais técnica, tando da produção, quanto dos atores responsáveis pelas capturas de movimentos. E mais uma vez eles acertaram.

O primeiro longa, além de ser visualmente impecável, tinha um ponto de exclamação para a abordagem dos direitos dos animais e a forma como as grandes indústrias os tratam para seus estudos científicos. Já no segundo filme, temos uma grande interrogação para a forma como nos tratamos em sociedade. Somos levados a nos indagar sobre como vivemos perante a uma sociedade de padrões, que crítica e julga os que são diferentes. Os macacos podem servir como metáfora para as minorias presentes em nosso convívio. O ódio pode levar a uma guerra. E foi assim que Reeves fechou a trilogia com “Planeta dos Macacos: A Guerra“. Tive a oportunidade de assistir ao filme à convite da Fox Films do Brasil e me surpreendi com o encerramento da satisfatória trilogia.

Assista ao trailer:

Depois de conhecermos a origem desses macacos super inteligentes e a forma como eles se agruparam em sociedade, temos aqui um capítulo final que mostra o difícil embate desta nova espécie com os humanos. Desde que uma gripe, oriunda dos estudos científicos que criaram Cesar, dizimou praticamente toda a população mundial, os humanos se assustaram com a evolução dos símios a ponto de fazer qualquer coisa para freá-los.

Se no primeiro falamos de proteção aos animais e no segundo do ódio ao que é diferente, neste aqui temos o extinto de salvação como principal motivação para uma guerra. De um lado, Cesar, que busca a proteção do que restou de sua família depois de perceber que não adiantaria continuar recluso na floresta para evitar um embate com os humanos. Do outro, o Coronel, interpretado por Woody Harrelson, que acredita cegamente que a única salvação para sua espécie é dizimar Cesar e toda sua família.

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O Coronel é um típico vilão de blockbuster, que apesar de se rodear de certos clichês, demonstra força ao liderar uma guerra e não decepciona ao executar seu papel. São motivos diferentes que partem de um mesmo propósito: a salvação. E quando falo em motivos diferentes é porque temos em “A Guerra” uma desmistificação do que bem e do mal. Há os macacos desertores que lutam junto com os humanos, assim como os humanos que não apoiam a guerra e possuem visões diferentes da situação. Mas será que essa é a única maneira? O que poderia ser feito diferente para evitar uma guerra? O que falta para se colocar no lugar do outro? Se vingar por acontecimentos do passado é a melhor solução? Muito mais do que uma história de guerra entre humanos e macacos, é a mensagem que podemos extrair por trás do embate. Compaixão e vingança são sentimentos que caminham em linha tênue durante toda a narrativa de Reeves.

E se nos dois primeiros capítulos os efeitos visuais impressionaram, com esse não seria diferente. Com o passar dos anos, a captura de movimento consegue ficar ainda mais realista. E mais uma vez Andy Serkis surpreende ao dar vida e emoção ao Cesar como poucos conseguiram (e é por isso que ele merece tanto uma indicação ao Oscar). Outro destaque importante de “A Guerra” é a primorosa trilha sonora que dá ritmo ao filme, principalmente por ele ser, em sua grande maioria, mudo, já que muitos macacos se comunicam apenas por sinais. O trabalho sonoro é tão impactante que complementa qualquer falta que os diálogos possam fazer. Isso sem contar o belíssimo trabalho visual da captura de movimento, que ajudam a retratar as emoções por meio de expressões perfeitas.

Planeta dos Macacos: A Guerra” fecha a trilogia com chave de ouro e encerra a incrível trajetória de Cesar. A história dos macacos evoluídos, vítimas da ambição do homem, é uma bela metáfora para a sociedade. As consequências de ser diferente e o ódio ao novo também possuem valor político no meio em que vivemos. Um filme que comprova, mais uma vez, que para ser blockbuster não precisa ser raso. Muito pelo contrário. Vida longa ao Planeta dos Macacos!

Baby Driver

Nesta segunda-feira, 24, o Papo de Blogueiro participou de uma divertida coletiva de imprensa do filme “Em Ritmo de Fuga” (Baby Driver), que contou com as participações do diretor Edgar Wright e o ator Ansel Elgort. O evento foi realizado no hotel Grand Hyatt, em São Paulo. Se você nos acompanha no Instagram, viu por lá alguns dos melhores momentos devidamente registrados nos Stories. Ainda não segue? Clique aqui e faça parte da nossa turma na rede social!

(Clique aqui para conferir a nossa crítica de “Em Ritmo de Fuga“, que já é um dos melhores filmes do ano.)

O Rafael, representante do blog lá em São Paulo, chegou cedinho no Grand Hyatt, fez o credenciamento e ficou contando os minutos para a chegada do Ansel Elgort. Iniciado o evento, foi hora de conferir mais detalhes sobre a produção.

No bate-papo com a imprensa, os convidados dividiram divertidos e curiosos momentos por trás das câmeras. Por exemplo, ficamos sabendo (e muito chocados, por sinal) que 95% das cenas foram filmadas sem chroma key, aquela técnica com o famoso fundo verde. Demais, não é? E que responsabilidade! Poucos diretores são capazes de conduzir uma produção desse nível, compromissado em nos entregar cada vez mais veracidade nas cenas.

Outro detalhe curioso é que o ator Ansel Elgort fez um treinamento intensivo para interpretar Baby, precisando aprender técnicas ao volante que deram mais confiança ao personagem. Elgort ficou realmente imerso no mundo do jovem motorista, mas, para garantir a segurança de todos os profissionais no set de filmagens, a produção não deixou que ele encarasse todas as cenas. Um dublê aqui, outro ali, não faz mal a ninguém. E garante a segurança no set!

E por falar no Ansel, ele revelou aos convidados, que “Never, Never Gonna Give Ya Up“, do Barry White, é a sua música preferida da trilha sonora do filme. Sua nova canção preferida de karaokê! E por falar na trilha, o diretor nos contou que na primeira versão do roteiro já tinham sido escolhidas 25 músicas. Incrível, não é? Se você leu a nossa crítica, sabe da importância de todas elas para a trama.

E ainda sobre o nosso Baby, olha só o que ele falou sobre ser o crush do mundo todo:

Hahahahaha, muito fofo, não é?

E olha só, vale lembrar que ele foi incrível durante toda a sua estadia no Brasil. Recebeu os fãs com muito carinho e se mostrou bastante feliz por estar aqui. E são atitudes como essa que fazem toda a diferença, não é? Por mais astros divertidos e acessíveis como o Ansel. E que ele possa voltar mais e mais vezes!

Então é isso! Adoramos participar de mais um evento e contamos com a companhia de vocês para mais e mais momentos como esse. E fiquem ligados: “Em Ritmo de Fuga” estreia nesta quinta, 27 de julho!

Baby (ANSEL ELGORT) and Bats (JAMIE FOXX) on the way to the post office job with Buddy (JON HAMM) and Darling (EIZA GONZALEZ) as cops pull up next to them in TriStar Pictures' BABY DRIVER.

Sabe quando você espera muito por um filme, mas tem medo de criar expectativas? Pois bem, foi com esse sentimento que assistir “Em Ritmo de Fuga” (ou “Baby Driver”, que é um título perfeito) à convite da Sony Pictures. Mas para a minha surpresa, meu hype foi mantido. É sim um filmão! Desses que faz qualquer fã de cinema vibrar a cada referência à Cultura Pop. Digamos que o diretor e roteirista Edgar Wright entregou um “fanservice” aos cinéfilos de carteirinha. E isso foi incrível! E antes de continuar lendo o texto, aperte o play na trilha sonora abaixo (você não vai se arrepender!!!!).

A história acompanha Baby (sim, isso mesmo, B-A-B-Y), interpretado pelo maravilhoso Ansel Elgort, um motorista de fuga que parece inofensivo com seu jeitinho inocente, mas que leva criminosos em fugas de grandes assaltos. E tudo isso com uma trilha sonora escolhida a dedo, já que ele só consegue se concentrar ouvindo música. Baby sofreu um acidente quando criança, e desde então, tem um zumbido no ouvidos que só pode ser abafado com uma boa música ligada em um de seus vários iPods. (Playlist no Spotify? Ele é da velha guarda! Tem um aparelho para cada humor, isso inclui até um rosa com glitter para músicas mais melosas).

A trilha sonora é o grande destaque desta história. A protagonista principal entre tantos astros de Hollywood. As músicas dão ritmo ao filme (e por isso o título escolhido para o Brasil não seja assim tão estranho), nos estregando um thriller de ação coreografado em seus mínimos detalhes. Ou acordes. Os grandes clássicos, em sintonia com a montagem feita em raccords (a passagem de um plano para outro através de efeitos visuais, sonoros ou de linguagem, que dão continuidade à narrativa) ajudam a contar a história de Baby. Se você, além de fã da sétima arte, também é apaixonado por música, prepare-se para ouvir canções memoráveis.

Martha and the Vandellas, Commodores, Queen, entre outros sucessos do rock e do soul fazem parte de um setlist muito bem planejado [de bônus, uma versão de “Easy” na voz doce de Sky Ferreira]. É uma homenagem à antiga relação entre o cinema e a música, da época em que as trilhas influenciavam momentos inesquecíveis na vida de tantas pessoas. Até a forma como o protagonista Baby explica seu nome é uma forma de homenagem a essa arte. Ele soletra Baby assim como Carla Thomas na clássica canção “B-A-B-Y“. É lindo de se assistir!

O título original do filme, “Baby Driver“, é também uma referência/homenagem à música de mesmo título, da dupla norte-americana de folk Simon & Garfunkel. A canção faz parte do álbum “Bridge over Troubled Water“, lançado em 1970. Demais, né?

Baby Driver

E por falar em Baby, o que dizer de uma atuação tão entregue quanto a de Ensel Elgort? Nós começamos a prestar mais atenção no ator desde sua tocante participação em “A Culpa é Das Estrelas” e, desde então, eu esperava pelo seu momento de glória no cinema. E esse momento finalmente chegou!

Em Ritmo de Fuga” tem um elenco de primeira classe, com nomes renomados como Kevin Spacey (House of Cards), Lily James (Cinderela), Jon Bernthal (The Walking Dead), Eiza Gonzalez (Um Drinque no Inferno), Jon Hamm (Mad Men) e Jamie Foxx (Sleepless), mas é o Ensel quem rouba a atenção do público do início ao fim. Ele convence no papel, que foi muito bem construído em meio a diferentes sucessos da música. Em um dos momentos mais tocantes do longa, vai ser difícil você segurar as lágrimas quando começar a tocar “Easy“, da banda The Commodores, em uma cena de Baby relembrando sua infância na companhia da mãe.

E já que falei no elenco de primeira classe, não dá para não destacar a incrível atuação de Kevin Spacey, que, mais uma vez, entrega um papel com o selo “Kevin Spacey de qualidade”. Ele interpreta o chefe de Baby, que o “convoca” para ser o piloto de fuga em seus assaltos perfeitamente planejados. Outra excelente participação é a de Lily James, que interpreta a jovem sonhadora Deborah, ou Debra, depende da música do dia. Sua química com Ensel é um dos chamativos da história, e no melhor estilo Bonnie & Clyde, os dois vivem momentos inesquecíveis em cena. Não é só mais um casal apaixonado. É um casal que te faz torcer por eles.

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E já que falei em Bonnie & Clyde, não posso encerrar sem antes comentar sobre as diversas referências ao cinema e à cultura pop de “Em Ritmo de Fuga“. Não é só a música que ajuda a contar essa história. Os grandes clássicos das telonas também ganham destaque na trama, como “Os Bons Companheiros” (em uma das cenas, vemos Baby trabalhar em uma pizzaria que faz clara referência ao filme estrelado por Robert DeNiro, isso sem contar outras referências e semelhanças ao clássico gângster), “Monstros S.A“, “Os Pestinhas“, “Clube da Luta“, “Blade Runner” e “Pulp Fiction“.

Em Ritmo de Fuga” é até então o melhor do filme do ano. O diretor e roteirista Edgar Wright nos entrega uma história empolgante, divertida e de encher os olhos de qualquer fã da sétima arte. Um diferente tipo de musical, que não necessariamente precisa seguir os padrões que já conhecemos. É mais do que simples entretenimento. É um compromisso em contribuir, de forma positiva, com a arte de fazer cinema. O longa traz uma originalidade entre tantos reboots e remakes. E a boa notícia antes de encerrar o texto, é que o estúdio já está de olho em uma continuação. E confiando no trabalho de Edgar, sabemos que se ele topar, é porque tem uma boa ideia para dar continuidade a essa história.

Fique ligado: o filme estreia no dia 27 de julho! Let’s rock, baby.

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