critica-filme-liga-da-justica

Não dá para salvar o mundo sozinho. Um lema que também se aplica ao universo da DC Comics no cinema. Depois de fracassar com “Batman Vs. Superman: A Origem da Justiça” e perceber o quanto “Mulher-Maravilha” se diverge dos filmes anteriores do estúdio e agrada tanto à critica quanto ao público, o diretor Zack Snyder pareceu entender que estava na hora de mudar as regras do jogo em “Liga da Justiça“. Mesmo que quase tarde demais.

E para isso, ele não trabalhou sozinho. Contou com a ajuda do já experiente Joss Whedon, que de acordo com declarações do produtor Charles Roven, regravou cerca de 20% do longa. Não dá para salvar uma franquia sem contar com uma ajudinha, né? E neste caso, fez toda a diferença!

Liga da Justiça” é mais um acerto da DC Comics, mas nem de longe o resultado é tão consistente quanto “Mulher-Maravilha”, lançado em junho deste ano. A primeira parte da projeção acaba incomodando por seu ritmo mais acelerado e sua aparente bagunça ao introduzir os novos integrantes do time de super-heróis. Ao optar pela estratégia de lançar o filme da Liga antes de apresentar o Flash, o Aquaman e o Ciborgue ao grande público, Znyder aceitou o risco de parecer apressado demais ao contar a história de cada um deles. Sem o apoio de uma boa edição, definitivamente foi um dos grandes erros do longa.

O vilão também surge de forma apressada, sem muitos rodeios e até mesmo explicação plausível. Enquanto ainda conhecemos os novos heróis, o Lobo da Estepe já reunia seu exército de “insetos” estranhos e mal feitos para recuperar as caixas maternas. O mundo sem o Superman, que até então continua morto e enterrado, fica mais suscetível aos ataques do Lobo e seus aliados, que são atraídos pelo medo da população desamparada.

critica-filme-liga-da-justica2

Quando a Liga da Justiça finalmente entra em ação, podemos conhecer melhor os novos personagens e reencontrar outros rostos já conhecidos. Bruce está mais Bruce do que nunca e até mais engraçado. Por incrível que pareça, ele também é um dos responsáveis pelo alívio cômico. E pela situação inusitada, já que sempre o vimos como uma figura mais séria, acaba tornando-se realmente engraçado. A nossa Diana também está de volta, e apesar de não parecer tão feminista e empoderada quanto no filme lançado em junho (isso se deve principalmente ao trabalho de direção de Snyder, que insiste em sexualizar as mulheres nos longas de ação), assume seu papel de liderança ao tentar reunir os heróis para salvar o mundo.

O novato Flash, interpretado pelo maravilhoso Ezra Miller, está do jeito que já imaginávamos. Ele é o próprio alívio cômico e se todas as suas piadas dão certo ou não, depende de cada espectador. O que às vezes funcionava para muitos na sala de cinema, não tinha o mesmo efeito sobre mim. O Aquaman, interpretado por Jason Momoa, não tem o mesmo tempo de tela que o Flash, por exemplo, mas também não decepciona. Seu estilo peculiar e mais grosseirão faz um ótimo contraponto às outras personagens. Ele é sério demais para ser engraçado e engraçado demais para ser sério. Entenda como quiser! E por último, o Ciborgue, interpretado por Ray Fisher, que sofreu com a quantidade excessiva de informações em sua apresentação, mas conseguiu dar a volta por cima ao ser uma das peças fundamentais na luta contra o Lobo.

E o Superman? Sim, ele está lá e é um dos responsáveis pela reviravolta que “Liga da Justiça” tem aos 45 minutos do segundo tempo. Ao trazer a personagem de volta, a história dá um upgrade e nos faz imergir em um universo divertido, interessante e nos deixa com gostinho de quero mais para os próximos filmes. Finalmente temos o bom e velho Superman em cena, com toda sua grandiosidade tão característica de uma personagem tão antiga e respeitada. Ele é o maior herói de todos e finalmente fez valer o seu título. Sua chegada influencia diretamente todos os heróis, e até mesmo a Mulher-Maravilha muda de posição, assumindo de uma vez por todas a sua liderança.

critica-filme-liga-da-justica3

A Liga da Justiça finalmente reunida nos faz lembrar as clássicas animações do time, nos levando a um sentimento de nostalgia. Se no início a quantidade de informações incomodava, agora tudo fica mais leve, divertido e empolgante. E você se pergunta: “por que não foi assim desde o começo?“.

Não sabemos até que ponto a entrada de Jossh Whedon influenciou diretamente no resultado do longa, mas é perceptível a mudança de tom do primeiro para o segundo ato, ou pós-retorno do Superman. É perceptível também a tentativa de mudança no ritmo, tentando ficar mais parecido com o que vimos em “Mulher-Maravilha“, o que tornou-se bastante satisfatório para a narrativa. O resultado final acaba agradando, nos fazendo esquecer a primeira impressão bagunçada. Nos deixou com um gostinho de quero mais e com a esperança mais do que viva no universo compartilhado da DC Comics do cinema.

giphy

Uma das melhores coisas que o cinema faz por seus espectadores é apresentar coisas novas.  É uma maneira gostosa e divertida de aprender sobre o mundo, além de sobre si mesmo. Mesmo que a história seja leve ou até infantil, dá para agregar algo interessante e criativo.

Eis aqui uma pequena e seleta lista com filmes que possuem relação com culinárias específicas. Será que você já assistiu a todos? Veja e aproveite as dicas específicas que cada um pode lhe trazer:

Ratatouille

giphy (1)

É uma animação – dizem que é pra crianças, mas duvide – que fala sobre um ratinho que desenvolve um apetite muito refinado. Ele usa seu olfato aguçado para virar um chefe de cozinha, sem que o dono do restaurante descubra, com ajuda de alguns humanos. Que tal uma pitada de cozinha francesa para refinar o paladar?

Jiro Dreams Of Sushi

O filme inspirador mostra a vida do grande sushiman Sukiyabashi Jiro, um dos mestres da arte da culinária japonesa, hoje popularizada e disponível em todo o mundo. Por aqui, graças aos serviços de delivery, ela pode ser facilmente saboreada em qualquer canto do país.

Big Night

Um filme que retrata as dificuldades de um tradicional restaurante italiano em New Jersey, nos Estados Unidos, por oferecer uma culinária autêntica – extremamente extravagante para o paladar local. Se só de pensar já te deu fome, que tal saborear um belo prato no Spoleto hoje? Afinal, ele é uma das redes mais amadas e conceituadas do país.

Julie e Julia

juliaejulie

Uma americana comum resolve fazer todos os pratos de um famoso livro de receitas. Mistura o presente e o passado, enquanto conta a vida de uma famosa culinarista da TV dos Estados Unidos. Muito sensível e com ótimas receitas.

Um ano bom

Além da culinária da Toscana, o filme fala sobre o vinho da região, o cultivo e o consumo, tudo isso temperando um romance entre uma italiana e um americano. Impossível não gostar dos vinhos e do filme!

critica-kingsman-o-circulo-dourado

Kingsman: O Círculo Dourado” é uma daquelas continuações que os fãs de Cultura Pop estavam aguardando com muita ansiedade. Isso porque o seu antecessor, lançado em 2015, foi uma das grandes surpresas daquele ano, destacando-se entre os principais filmes da temporada. A trama de ação, com um ar mais sofisticado, que remetia aos clássicos de espionagem da Era de Ouro de Hollywood, trouxe um diferencial ao blockbuster, que logo tornou-se um grande sucesso de público e de crítica.

A sequência, dirigida e escrita pelo criativo Matthew Vaughn (“X-Men: Primeira Classe”), já chegou com uma grande e difícil missão: superar, ou pelo menos se igualar, ao primeiro filme. E apesar de não ser tão competente e original, “O Círculo Dourado” se revela divertido e empolgante acima da média. Posso classificá-lo como uma continuação que quase chega lá. Quase, batendo na trave!

critica-kingsman-o-circulo-dourado4

Sem perder sua sofisticação e aparente elegância, o novo longa traz cenas grandiosas de ação (isso é fato!!!), mas se escora em um elenco grandioso e se esquece de fazer um tratamento refinado no roteiro, que exagera nos clichês e não interage com o público – às vezes parece tudo muito mastigado para que o público entenda o máximo possível sem fazer muito esforço. Sem contar que não há um grande esforço em distanciar-se do primeiro filme, seguindo praticamente a mesma fórmula do anterior.

Mas como eu disse, é um blockbuster divertido. Os defeitos citados acima fazem com o que o filme seja classificado como ruim? Não, não exatamente. Mas como devemos também analisar o ponto de vista mais técnico, não posso deixar de lado alguns defeitinhos que infelizmente estão presentes na produção de Vaughn. Tem defeitos, principalmente no que se refere ao roteiro, mas nada que prejudique a experiência de quem busca por momentos de diversão na sala do cinema. E o que mais chamou minha atenção? Vou listar alguns dos destaques da produção, que com certeza vão fazer você se empolgar para correr até o cinema mais próximo. Vamos lá?

 1. O elenco é de fato grandioso e um dos melhores do ano.

Não dá para falar de “Kingsman: O Círculo Dourado” sem citar o competente time de estrelas escalado para a produção. Além de nomes já conhecidos, como Colin Firth, Taron Egerton e Mark Strong, desta vez temos participações mais do que ilustres, como as de Julianne Moore (falo mais de sua personagem abaixo), Halle Berry, Channing Tatum, Jeff Bridges (estes três últimos infelizmente mal aproveitados na trama) e Pedro Pascal. Timão, né? O elenco é responsável por proporcionar um encorpamento à trama e alguns atores até conseguem se sair bem mesmo com um roteiro que às vezes parece mais atrapalhar do que ajudar, principalmente em algumas cenas bastante improváveis. Acontece!

2. Julianne Moore está deliciosamente má! E nós adoramos, né?

critica-kingsman-o-circulo-dourado2

Julianne Moore é, sem dúvidas, uma das atrizes mais queridas e talentosas da atual geração de Hollywood. Seu toque em qualquer papel (pior que ele seja) é responsável por engrandecer a narrativa e com a sociopata Poppy não foi diferente. Certamente o grande trunfo do longa, é delicioso vê-la em cena. Sua personagem é uma bem sucedida empresária que tem o domínio do tráfico de drogas mundial. Mesmo muito bem sucedida, não pode ser reconhecida em listas como a da Forbes por seus produtos ainda não serem legalizados no mercado.

Sem poder usufruir de sua fortuna, precisa viver isolada no meio do nada, literalmente. Julianne entrega uma vilã caricata, não dá pra negar, mas é difícil tirar os olhos dela enquanto está em cena. Uma daquelas vilãs bizarras, que ficam ainda mais interessantes sob a perspectiva de uma profissional tão competente (e olha que ela faz milagre já que o roteiro nem sequer se aprofunda na história de Poppy e o que a levou até ali).

3. Elton John é a maior Diva Pop que você respeita!

Sabe aqueles personagens coadjuvantes, ou até mesmo as “escadas” para os protagonistas, que roubam a cena? Foi exatamente o que aconteceu com o Elton John. Sim, isso mesmo, o lendário cantor. Sua participação é, sem dúvida, o maior acerto do longa. Foi muito mais do que fazer homenagens a grandes nomes das músicas.

critica-kingsman-o-circulo-dourado5

O diretor Matthew Vaughn trouxe o homenageado para dentro da narrativa e, com a ajuda de um controverso senso de humor, nos presenteou com cenas muito divertidas. Ele realmente faz parte da história, mas para não entregar muito sobre a trama, posso apenas dizer que o astro pop interpreta a si mesmo. E prepare-se porque não é nada do que você possa estar imaginando!

4. O duelo entre as drogas lícitas e ilícitas como background.

Na trama, temos um interessante background que faz uma crítica ao livre comércio das drogas lícitas, como por exemplo, o açúcar, o álcool e a nicotina. E apesar de ser feito de forma muito sutil, o subtexto consegue arrancar algumas reflexões até dos mais desligados, principalmente quando a vilã Poppy relata que os perigos destas drogas de livre comércio podem ser muito maiores do que os das drogas ilícitas, como a maconha, por exemplo.

É interessante ver esse tipo de discussão, mesmo que de forma “rasa”, em um blockbuster de ação, que teoricamente preocupa-se apenas com os efeitos especiais de uma boa sequência de combate mão a mão. Outro detalhe é a presença da figura do Presidente dos Estados Unidos, que está até bem parecido com um certo político da Casa Branca.

5. É um prato cheio para os fãs da ação absurda!

Assim como o primeiro, “Kingsman: O Círculo Dourado” não deixa a desejar quando o assunto é ação. A cena de abertura, por exemplo, é uma das mais empolgantes do longa. Taron Egerton, que volta a interpretar o jovem agente Eggys, está ainda mais confortável no papel, nos entregando o seu melhor em um entretenimento puro e simples, do jeito que gostamos. Outro destaque é para o ator Pedro Pascal, que foi uma excelente adição ao elenco. Seu personagem é do sul dos Estados Unidos e tem métodos diferentes de combate. Sua corda “mágica” é um dos pontos altos.

Kingsman: O Círculo Dourado“, como disse anteriormente, é um blockbuster empolgante de ação, que não decepciona aos mais aficionados pelo cinema de ação. O roteiro não é dos melhores, o que acaba prejudicando a narrativa, mas não desqualifica a produção. Vamos torcer agora para que o resultado nas bilheterias surpreenda e um terceiro filme chegue o quanto antes.

critica-filme-mae-com-jennifer-lawrence2

Escrever sobre as obras de Darren Aronofsky não é uma tarefa fácil até para os profissionais mais experientes da sétima arte. Isso porque o diretor imprime um estilo de narrativa único em todos os seus trabalhos, conversando diretamente com o surrealismo, sem esquecer a ousadia, um trunfo permitido aos mais irreverentes do cinema. As histórias são representadas através de gestos, expressões faciais e movimentos, que ajudam a complementar o seu trabalho.

Quem já assistiu a algum de seus filmes, sabe que vale a máxima do efeito “ame ou odeie”, mas independente de gostar ou não, é impossível ficar indiferente ao que é visto em cena. E foi exatamente assim que me senti após assistir ao seu novo projeto, “Mãe!“, que estreia nesta quinta-feira, 21 de setembro, nos cinemas.

A trama acompanha intimamente a relação de um casal que vive isolado aproveitando os bons momentos da vida. A jovem, interpretada por Jennifer Lawrence, ocupa seus dias reconstruindo a casa do poeta amado, vivido por Javier Bardem, que fora destruída em um incêndio. Tudo muda com a chegada de um misterioso homem (Ed Harris), que prontamente é acolhido pelo dono da casa. A partir de então, uma série de acontecimentos, muitos deles perturbadores, mudam a rotina do casal, nos levando a uma experiência psicológica como há muito tempo não víamos nas telas do cinema.

A sinopse descrita acima certamente não revela a real intenção desta trama idealizada por Darren. A experiência de “Mãe!” está no simples fato de assistir e interpretar as representações criadas em cena. Descobrir o que há escondido por trás de cada metáfora acaba tornando-se uma interação entre Darren, do seu alto comando, e o público, que precisa extrair o máximo possível de cada cena. É uma experiência individual, que cabe às sensações de cada pessoa. Sendo assim, tudo que eu disser aqui ainda não é o bastante para descrever a produção, cabendo a você vivenciar esse momento na sala do cinema.

critica-filme-mae-com-jennifer-lawrence

A história é contada, literalmente, do alto do ombro da protagonista vivida por Jennifer Lawrence. A câmera, como você pode ver acima, é anexada sob os ombros da atriz e assim, a trama é desenvolvida exatamente do ponto de vista da mulher, que também é esposa e mãe. Sua subjetividade é escancarada ao público, nos fazendo sentir seus medos e suas angústias ao deparar-se com o inesperado em um lugar sagrado, como a sua casa. Nesta imersão à subjetividade da protagonista, o diretor se aproveita dos simbolismos para tratar de alguns fardos de ser mulher em uma sociedade predominantemente machista. Em uma das cenas, é perturbador quando percebemos o quanto é difícil ela ser ouvida pelos demais. Em certo momento, ninguém a leva a sério e duvidam de suas palavras.

E por falar na grande protagonista, não há como analisar “Mãe!” sem dar os devidos créditos ao excelente trabalho de Jennifer Lawrence. A atriz contracena com grandes nomes do cinema, como Javier Bardem e Michelle Pfiffer, mas experiente do jeito que é, toma de conta da produção. Ela vai do céu ao inferno em poucos minutos e consegue convencer o público de qualquer coisa que seja, mesmo que sua personagem não seja um livro aberto diante da narrativa. Um trabalho primoroso, que a consagra de uma vez por todas, como um dos maiores nomes da sétima arte. Por falar nisso, assista a um depoimento da atriz sobre as filmagens do longa:

Quando o filme se desenrola para o último ato, percebemos a ousadia da narrativa de Darren Aronofsky de forma mais aguçada. Ele leva sua trama ao limite, conduzindo os atores de forma ainda mais teatral, nos entregando um pouco de sua personalidade megalomaníaca, que pode ser visto, inclusive, nas cenas violentas que também marcam esta narrativa.

Quem acompanha sua carreira sabe o quanto ele trabalha com temas religiosos em suas metáforas, e aqui não é diferente. Não há como entregar mais detalhes da trama sem revelar alguns spoilers. Dessa forma, não posso me prolongar para não estragar a sua experiência. Mas esteja preparado para descobrir outro lado de atores tão consagrados de Hollywood.

Mãe!” pode ser considerado controverso, ousado e muitos podem não comprar a ideia, mas não há como negar que seja uma obra diferente de tudo que está sendo feito nos dias atuais. É um filme para debater na mesa de bar com os amigos. Para ser lembrados na premiações. Para aguçar discussões mais calorosas sobre a sétima arte. É um filme memorável, que, você gostando ou não, vai ficar na sua cabeça e na sua língua por muito tempo.

Antes de ir embora, assista ao trailer de “Mãe!”:

ivete-sangalo-rock-in-rio-2017

Diferente das edições anteriores, neste ano, as mulheres não receberam a devida atenção dos organizadores do Rock in Rio. Para você ter uma ideia, entre os headliners, a única mulher que fecharia uma das noites seria Lady Gaga, que precisou cancelar sua participação por motivos de saúde.

Para substitui-la na noite de sexta-feira, 15, o festival convocou a banda Maroon 5, headliner do dia seguinte. Apesar de soar mais pop do que outrora, nem de longe o público da Gaga conversa com as músicas de Adam Levine e companhia. Uma falha da produção por não ter pensado em um plano B melhor? Fica a questão!

Além de Gaga, apenas outras três mulheres foram convidadas para integrar a programação do Palco Mundo: Ivete Sangalo, Fergie e Alicia Keys. Para um festival que já recebeu nomes como Beyoncé, Katy Perry e Rihanna, faltou a presença de mais “divas” da música pop. Sem a Mother Monster, coube à Ivete Sangalo, patrimônio do nosso Brasil, o papel de grande Diva. E não só da primeira noite, como do fim de semana pop.

Logo na abertura, a baiana mostrou o porquê de ser lembrada há tantos anos pela produção de Medina. Ela tem brilho, talento e carisma para comandar uma multidão ensandecida. E por que antes mesmo de Fergie e Alicia Keys subirem ao palco, já considero Ivete Sangalo a grande diva pop da edição? As duas cantoras que ainda se apresentarão no Palco Mundo são talentosas e apresentam trabalhos impecáveis, mas não possuem popularidades de divas aqui no Brasil, como é o caso de Lady Gaga – que infelizmente precisou cancelar sua apresentação. E sabemos que Ivete é sim um nome popular, querido e, digamos que quase unanime em nosso país. Uma diva pop… Do axé!

E parecia que Ivete estava adivinhando o cancelamento de Gaga. Com uma estrutura digna de shows internacionais, a cantora trouxe ao palco uma nova proposta de cenário, dando mais brilho e interatividade ao show. Além disso, a apresentação foi marcada pelo retorno do time de bailarinos, há tanto tempo deixado na geladeira pela produção da cantora. Preciso dizer que está mais do que na hora de Ivete “adotá-los” de novo. Eles deram um charme todo especial aos grandes hits da baiana. As coreografias já não lembram as bailarinas do Faustão e os figurinos estão muito mais modernos. Por falar em figurino, Ivete também arrasou com um visual que parecia inspirado em Ariana Grande. Era todo Swarovski, tá meu bem?

Ivete Sangalo também deu espaço à diversidade, alertando aos presentes e a todos que assistiam de casa, que ainda precisamos lutar contra o racismo, a homofobia e a destruição da nossa Amazônia. Tudo isso ao som de uma releitura de Cazuza, deixando o nosso dia muito mais feliz. Antes de encerrar seu show, conversou com os fãs da Gaga e ainda arriscou um pedacinho de “Bad Romance“. O público foi ao delírio!

Ivete Sangalo, brasileira, nordestina, baiana, pode se orgulhar. Ela é a A mulher do Rock in Rio 2017!

atomica-traz-charlize-theron-em-um-papel-poderoso-no-cinema-de-acao

Mesmo em uma realidade ainda longe do ideal, as mulheres vêm conquistando mais espaço nos grandes blockbusters do cinema. Como fã de cultura pop e apreciador da sétima arte, tenho orgulho de vivenciar este momento histórico na luta pela igualdade de gêneros também no meio cinematográfico.

Quando li as primeiras notícias relacionadas à “Atômica“, me empolguei por ser um filme que faz parte desse movimento. Estrelado e também produzido por uma mulher, a incrível Charlize Theron, conhecemos à implacável espiã Lorraine Broughton, também conhecida como a assassina mais letal do MI6. Temos aqui então um longa tipicamente voltado ao público masculino, que agora tem sob o seu comando, uma mulher forte e empoderada. São os novos tempos chegando a Hollywood, equilibrando o jogo e trazendo mais diversidade às salas de cinema. That’s it! 

Mas além de toda a representação feminina, o que você pode esperar de “Atômica“? Baseado na HQ “The Coldest City“, a trama acompanha uma espiã joia da coroa do Serviço de Inteligência de Sua Majestade. Ela está disposta a utilizar qualquer uma de suas habilidades para sobreviver à sua missão impossível às vésperas da demolição do Muro de Berlim. Enviada à Alemanha para recuperar uma lista de valor inestimável para o seu país e aliados, se une ao chefe da estação local David Percival (James McAvoy) para navegar por um jogo letal de espiões.

atomica-traz-charlize-theron-em-um-papel-poderoso-no-cinema-de-acao2

Dirigido por David Leitch, temos um filme de ação implacável, pelo menos quando se trata de cenas de ação. Neste ponto, é um dos mais bem dirigidos que já tive o prazer de assistir. Se você não sabe, Leitch é codiretor de “De Volta ao Jogo“, responsável por cenas incríveis que fazem você suar frio na sala de cinema. Com “Atômica“, ele também não mediu esforços. Pelo contrário, o diretor consegue elevar o nível. Primeiro porque a fotografia chama atenção desde os primeiros minutos de projeção. As luzes neon ajudam a compor o clima de Berlim na época da queda do Muro, trazendo mais sensualidade e digamos que um toque tech noir. Apesar dos conflitos que aconteciam entre os dois lados do muro, a vida noturna era agitada e, digamos que, muito sensual. E segundo, para quem é mais ligado em técnicas e detalhes de filmagens, Leitch preparou planos-sequência para incrementar a história. Uma das cenas mais empolgantes é um plano-sequência que dura quase 15 minutos. É um combate corpo a corpo que vai deixar você vidrado na tela do cinema.

Já que falei da Charlize Theron no início do texto, destacando sua importância como protagonista feminina, não posso deixar de analisar o seu desempenho de forma geral. Em vários momentos, fiquei pensando: “Meu Deus, essa mulher é mesmo de verdade?” A entrega da atriz é muito nítida em vários momentos da produção, principalmente durante as cenas em plano-sequência. E não foi só tiro, porrada e bomba. Ela entrega uma personagem densa, de poucas palavras e muitos mistérios. E apesar de ser sempre muito invulnerável, quase implacável, também é responsável pelo pouco alívio cômico em cena. Uma tirada aqui, outra ironia ali. Tudo na medida. Até quando precisou demonstrar um pouco mais de sua humanidade. Tudo feito sob medida pela Charlize em mais um papel muito satisfatório.

atomica-traz-charlize-theron-em-um-papel-poderoso-no-cinema-de-acao3

Outra grande protagonista é a trilha sonora. Estão lembrados de “Baby Driver”? Pois é! Os mais saudosistas dos anos 80 com certeza vão se empolgar com as músicas que fizeram sucesso na época. E a trilha tem sua importância quando casa direitinho com as personagens em cena. Parece que o George Michael está mesmo cantando para a espiã Lorraine. E além disso, tem seu papel diegético na produção. Mas o que isso significa? É quando um som pode ser ouvido também pelas personagens que estão em cena. Por exemplo, em um momento “x” do filme, tal personagem precisou aumentar o volume do som para não ser ouvida por escutas ilegais. E mais um detalhe: quem é antenado em história musical, vai sacar diversas referências. Legal, né?

Atômica” é impecável? Não! O longa aborda os momentos históricos que antecedem a queda do muro de Berlim, e por isso, apresenta um enrendo denso, com muitos elementos que podem confundir os mais desatentos. E até mesmo quem está vidrado na tela. Ou seja se você se perder em algum momento, não fique preocupado. Isso pode acontecer com a maioria das pessoas já que se trata de um problema de construção narrativa. Muito foco em lutas incríveis, e um tanto menos no desenvolvimento do roteiro. Que por sinal, é assinado por Kurt Johnstad. Outro problema que pode incomodar são as cenas mais improváveis de ação, que de vez em quando nos fazem desacreditar na trama. É aquela coisa, né? Fazer o quê?

Para fechar, o filme tem sua importância na representação feminina nos blockbusters de ação de Hollywood e é um bom entretenimento para os fãs do gênero. Uma direção caprichada, um roteiro que tem seu esforço (mas nada muito além do normal) e um elenco afiado em cena. Vale o ingresso e o seu prestígio. Até a próxima!

12345... 394»